Clara espalhou os papéis amarelados sobre a mesa da cozinha. A luminária única deixava o resto da casa no escuro. Ela leu o contrato mais uma vez e sentiu o estômago apertar. Só depois, quando Lucas chegasse, é que a conversa tomaria um rumo que nenhum dos dois esperava.
A pasta que apareceu na gaveta
Os documentos vinham da casa da avó, guardados há anos. Um contrato antigo mostrava a assinatura de Augusto Ferraz ao lado do nome do avô de Clara. A data marcava uma operação que tinha deixado a família dele sem nada. Clara não conseguiu comer o prato que esquentava no micro-ondas. Ela guardou tudo de novo na pasta, mas não conseguiu parar de pensar no que aquilo significava.
A chegada de Lucas
Lucas bateu na porta da casa dela mais cedo que o combinado. Trouxe dois cafés e um envelope com números de um possível investimento no restaurante. Clara o deixou entrar sem sorrir. Sentaram à mesma mesa onde os papéis ainda estavam escondidos debaixo de um livro. A conversa começou sobre o negócio, mas logo ficou difícil manter o assunto leve.
Seu pai ficou rico no mesmo mês em que meu avô perdeu tudo.
Lucas parou com a xícara no meio do caminho. Ele repetiu as palavras como se não tivesse ouvido direito. Disse que Augusto era duro, mas nunca desonesto. Clara mostrou o contrato. Lucas leu e balançou a cabeça, repetindo que devia haver algum erro. A voz dele saiu mais baixa do que o normal.
O que ela decidiu fazer
Clara guardou os papéis de volta na pasta. Disse que esperaria Augusto voltar ao Brasil para perguntar tudo na cara dele. Lucas ficou em silêncio por um tempo. Depois pediu para ela não fazer nada antes de ele mesmo verificar os fatos. Ele saiu da casa com o café ainda intacto. No caminho de volta, parou o carro e ligou para o escritório do pai, pedindo arquivos antigos sem explicar o motivo. A noite caiu enquanto ele dirigia sem ligar o rádio. Algo que ele sempre tinha dado como certo agora parecia fora do lugar.
