A chuva caía forte na vitrine do restaurante já fechado. Lucas e Clara estavam sozinhos entre as mesas vazias, com a conta vencida aberta sobre o balcão. Ela sabia que precisava ouvir a proposta dele, mas ainda não confiava. Só depois, no dia seguinte, é que tudo faria sentido.
A proposta de investimento no restaurante
Lucas apontou para os números que havia preparado. O lugar podia crescer se trocassem alguns fornecedores e abrissem mais cedo. Clara ouviu em silêncio, mexendo no guardanapo. Ela precisava salvar o negócio da mãe, mas aceitar ajuda de um Ferraz parecia errado.
“Você acha que seu pai aprovaria isso?” perguntou ela, baixa. Lucas hesitou. “Meu pai nem sabe que eu estou aqui.” A resposta não acalmou Clara. Ela via o sobrenome dele como uma parede.
O beijo que interrompeu tudo
A conversa virou discussão sobre Augusto. Clara contou o que ouvira da mãe sobre o avô falido. Lucas defendeu o pai no começo, depois calou. As mãos deles quase se tocaram sobre a conta. O beijo veio de repente, sem aviso.
O problema não é gostar de você; é lembrar de quem você é depois.
Clara se afastou primeiro. O celular dela vibrou com uma mensagem da mãe. Lucas ficou ali, sem saber o que dizer.
A pasta que apareceu no dia seguinte
No dia seguinte, Clara abriu os documentos antigos da família. Entre recibos velhos e contratos, encontrou uma pasta com o nome de Augusto Ferraz. As páginas mostravam uma transação antiga que ligava o pai dele à ruína do avô. Ela guardou tudo de novo, mas a cabeça não parava. Enquanto isso, Lucas recebeu uma ligação curta do irmão pedindo conselho sobre uma transferência que parecia errada.
