Bruna colocou a pulseira velha sobre a mesa da cozinha, ao lado da cópia dos registros do hospital. A luz do abajur batia direto no plástico gasto e nos números desbotados. Diego ficou em pé, quieto. Patrícia sentou do outro lado, as mãos entrelaçadas. O que elas ainda não sabiam era que aquela pulseira ia resolver a última dúvida naquela mesma noite.
A pulseira de maternidade na mesa
Bruna empurrou os papéis para o centro. “Olha o número. É o mesmo do berço que estava registrado para o bebê de Patrícia.” Patrícia inclinou o corpo para frente. Os olhos dela acompanharam os dígitos uma vez, depois outra. “Meu Deus. Está batendo com tudo que a Sônia guardou.”
Diego passou a mão no rosto. Ele queria falar, mas esperou. Bruna já tinha dito que não queria conselho dele agora. O prato de arroz com feijão que ela esquentara mais cedo continuava ali, frio.
O que Sônia confirmou por telefone
Bruna ligou para Sônia antes de chamar as outras. A voz da enfermeira saiu baixa, cansada. “Eu assinei o papel que a Vera mandou. Depois guardei a pulseira original. Não consigo mais carregar isso.” Patrícia ouviu tudo em silêncio. Quando a ligação terminou, ela respirou fundo. “Agora temos data, horário e nome de quem trocou.”
Está tudo aqui, com número, horário e a assinatura de quem mentiu.
Bruna encostou as costas na cadeira. O peso que carregava desde o exame de sangue pareceu diminuir um pouco, mas outro tomou o lugar.
O que vai acontecer com os meninos
Patrícia falou baixo. “Eu não quero que Théo vire notícia. Ele é só uma criança.” Bruna assentiu. “Miguel também. Ele chama você de tia agora. Como a gente explica isso sem destruir os dois?” Diego se sentou enfim. “Eu fico fora da decisão. Só quero que vocês duas consigam conversar sem brigar.”
As três olharam a pulseira outra vez. Bruna guardou os papéis na pasta. Patrícia pegou o celular e marcou um encontro para o dia seguinte, só elas duas. No ar ainda pairava a pergunta que nenhuma respondia: o que iam fazer com Miguel e Théo agora que a verdade estava completa.
