Marina observou as gotas escorrendo pelo vidro da cafeteria enquanto Daniel mexia no café sem açúcar. A tarde chuvosa deixava o lugar quase vazio, só o barulho da máquina de espresso preenchia o silêncio entre eles. Ela queria entender por que ele aparecia exatamente agora, quando as dúvidas sobre Gabriel começavam a pesar. O que ela ainda não sabia era que uma das mensagens que recebera citava algo que só quatro pessoas conheciam.
Encontro na chuva
Daniel chegou atrasado, o casaco molhado pingando no chão. Marina já havia pedido um chá que esfriava na mesa. Ela desconfiava de todo mundo agora, até do primo que parecia mais acessível que o resto da família Monteiro.
— Por que você veio? — perguntou ela, sem rodeios.
Ele demorou a responder. Olhou pela janela, como se procurasse palavras no meio da chuva.
— Porque sei que você está sozinha nisso. E não quero que seja assim.
O que a família escondeu
Daniel contou que anos atrás Gabriel se meteu num problema sério com documentos falsos de uma empresa. A mãe e Renata pagaram para que tudo desaparecesse dos jornais. Marina sentiu o chão faltar por um segundo. Aquilo explicava o jeito defensivo de Gabriel sempre que alguém tocava no passado dele.
— Eles abafam tudo que pode manchar o nome — disse Daniel. — E vão continuar fazendo isso.
Alguém muito perto de você sabe cada passo que você dá.
Ele falou baixo, quase como se pedisse desculpa por revelar aquilo. Marina apertou o celular no bolso, pensando nas mensagens que chegavam sem aviso.
A mensagem que só quatro sabiam
Daniel puxou o telefone e mostrou uma tela. Era uma cópia da segunda mensagem que Marina recebera. Nela estava escrito o nome de uma testemunha que nunca aparecera em público. Uma pessoa que só a mãe, Renata, Gabriel e o próprio Daniel conheciam. Marina leu duas vezes. O chá estava frio de verdade agora.
— Como você tem isso? — perguntou ela.
Daniel respirou fundo. Não respondeu de imediato. Em vez disso, falou que a família ainda guardava documentos antigos no escritório da mansão. Marina sentiu uma mistura de raiva e algo mais difícil de nomear, uma vontade de confiar que ela já sabia ser perigosa.
Daniel se levantou para pagar a conta. Antes de sair, mencionou que Lívia, a ex de Gabriel, tinha voltado à cidade nos últimos dias. Disse que vira o carro dela perto do prédio onde Gabriel guardava alguns pertences antigos. Marina ficou ali mais uns minutos, olhando a chuva. Pensou em confrontar o primo de novo, mas sabia que precisava primeiro entender o que aquela fotografia rasgada que Daniel mencionou de passagem realmente significava.
