Lúcia chegou ao escritório de Helena já imaginando que o filho estava em apuros financeiros. O que ela ainda não sabia era que Marcelo pretendia usar o terreno dela para sair da situação. A reunião marcaria o início de algo que ninguém na família conseguiria ignorar.
O contrato em branco
Helena recebeu Lúcia na sala envidraçada da empresa. Sobre a mesa havia papéis e um contrato com espaço em branco para assinatura. A sócia de Marcelo parecia cansada, mas falou direto.
— Sua escritura está em jogo, dona Lúcia. Marcelo quer oferecer o terreno como garantia para cobrir os desvios que a auditoria vai encontrar.
Lúcia ficou em silêncio por um instante. Depois perguntou se o filho já tinha tentado vender o imóvel sem ela saber. Helena confirmou que não, mas que a pressão dos credores era grande.
A descoberta de Camila
Camila ouviu a conversa por acaso ao passar pelo corredor. Ela não entrou na sala. Desceu as escadas, pegou o carro e foi direto até o ponto onde Davi costumava esperar por ela. O rapaz estava terminando uma entrega quando viu a expressão dela.
— Meu pai quer hipotecar o terreno da minha avó — disse Camila, sem conseguir disfarçar a voz. — Preciso de alguém que entenda de contrato.
Davi ouviu tudo sem interromper. Quando ela terminou, ele respondeu que podia analisar os documentos, mas que não seria só uma questão jurídica.
A frase que mudou tudo
— Primeiro você escondeu sua mãe; agora quer hipotecar a única coisa que ela conseguiu esconder de você — repetiu Davi, citando o que Lúcia lhe contara dias antes. Ele aceitou ajudar a impedir a assinatura. Em troca, pediu que as provas dos desvios de Marcelo fossem entregues às autoridades, mesmo que isso destruísse a empresa e a família de Camila.
Camila hesitou. Pensou na avó, na mãe que nunca aparecia e no pai que sempre priorizou a imagem. Depois concordou. Os dois saíram juntos do ponto de entrega, rumo ao cartório onde a escritura original estava registrada.
Enquanto dirigiam, Lúcia ainda estava na sala com Helena. A sócia entregou cópias dos extratos que comprovavam os desvios. Lúcia guardou os papéis na bolsa sem dizer se pretendia usá-los. No caminho de volta para casa, ela parou em um banco e ligou para o filho. A ligação caiu na caixa postal.
