Marcos entrou na sala vazia do restaurante ainda com o cheiro do evento grudado na roupa. Esperava só o pagamento pelo serviço e mais nada. Augusto fechou a porta e caminhou devagar até a mesa central. Só depois, quando a conversa terminou, é que ele entenderia o peso daquela proposta.
A sala vazia depois do evento
Augusto puxou uma cadeira e sentou sem pressa. Marcos ficou de pé, as mãos ainda sujas de tempero. O silêncio durou alguns segundos até o homem mais velho apontar para o outro assento.
“Sente, por favor. Não vim aqui pra te pagar e mandar embora.”
Marcos obedeceu. Olhou para o relógio na parede, pensando na conta de luz que venceria na semana seguinte.
A chave sobre a mesa
Augusto tirou um chaveiro velho do bolso e colocou a chave no centro da mesa de madeira. A peça fez um som seco ao bater na superfície. Marcos olhou para ela sem entender.
“Esse lugar ficou fechado depois que meu sócio saiu. Fica na Mooca, dois andares, cozinha decente. Eu não estou te dando um restaurante; estou te dando a chance de descobrir se você consegue mantê-lo aberto.”
Marcos engoliu seco. “Por seis meses? E se der errado?”
“Você assume o risco. Nenhuma ajuda extra, nenhum favor. Se funcionar, a gente conversa depois.”
O que César percebeu
Do corredor, César parou ao ver a porta entreaberta. Reconheceu a chave no instante em que a viu. Sabia que aquele espaço era dele por direito, ou pelo menos era o que vinha repetindo para os investidores. A expressão dele mudou quando ouviu Marcos aceitar.
Augusto se levantou primeiro. “Pense até amanhã. Mas não demore.”
Marcos pegou a chave e guardou no bolso da calça. O peso parecia maior do que o objeto realmente tinha.
Helena volta da viagem
Helena desceu do táxi ainda com a mala na mão. Entrou no escritório do pai sem bater e encontrou a secretária reorganizando papéis. A mulher hesitou antes de falar.
“Seu pai colocou alguém novo pra cuidar do restaurante da Mooca.”
Helena parou no meio da sala. A notícia não fazia sentido. Um desconhecido dentro dos negócios da família. Ela olhou para a foto antiga que Augusto guardava na gaveta de baixo e sentiu o primeiro aperto no peito.
