O vento de Copacabana batia nas cortinas finas do quarto pequeno. Valentina segurava a foto rasgada entre os dedos, a luz da lâmpada tremendo sobre os pedaços. O cheiro de café frio subia do copo esquecido na mesa.
Em silêncio, ela traçava o rosto do pai que nunca a reconheceu. A tensão do dia anterior ainda pesava no ar, a carta roubada e a humilhação de Letícia ecoando longe. O silêncio parecia esperar pela primeira palavra.
A foto rasgada no silêncio
Valentina fechou os olhos e o flashback veio: Roberto Montenegro rindo em um salão luxuoso, ignorando a menina que olhava da porta dos fundos. A imagem queimava por dentro. Negação era tudo o que restava dele agora.
Ela amassou o pedaço maior da foto no bolso, os olhos secos. Nenhuma lágrima cairia por um homem que escolheu a fortuna.
Sangue não compra dignidade… mas pode queimar tudo.
O aliado que hesita
Lucas bateu à porta do café já fechado. Entrou sem esperar resposta, o terno impecável contrastando com a fadiga nos olhos. Valentina não se virou logo.
— Você escolheu o lado dela — disse ela, voz baixa. A xícara que ele tocou tremeu levemente. Traição pairava entre os dois como fumaça.
Lucas respirou fundo. Lealdade custava caro quando a herança chamava.
A prova que chega
Uma carta anônima deslizou por baixo da porta do apartamento de Valentina. Ela a pegou com cuidado, o envelope grosso. Dentro, uma cópia do documento antigo que ligava Roberto diretamente a ela.
O coração bateu forte. Agora não havia mais como negar. A mansão em Ipanema parecia mais longe e mais próxima ao mesmo tempo.
Letícia, em seu quarto, observava o vestido vermelho manchado pendurado. O segredo antigo apertava o peito. Vingança era um jogo que ambas sabiam jogar.
Valentina guardou o papel no bolso, ao lado da foto rasgada. O próximo passo seria confrontar a verdade que queimava.
