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Andar Zero — Capítulo 3: O cabo que quase matou

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Dalva ergueu o cabo rompido na frente de Bruno, mas o teste de Nina mostrou que alguém mais tinha mexido no elevador depois do resgate. A caixa vermelha mudou tudo.

Andar Zero — Capítulo 3: O cabo que quase matou — cena da novela

Dalva parou na frente do elevador aberto e ergueu o cabo rompido bem perto do rosto de Bruno. O fio balançava solto entre os dedos dela, com as pontas esfiapadas e pretas de poeira. Bruno não tirava os olhos do cabo. Só no fim daquela manhã é que o teste de Nina mostraria que o problema não parava ali.

Diante do elevador

Bruno deu um passo à frente, a voz baixa e cortada. “Você me puxou pra dentro do buraco. Eu quase caí por causa de você.” Dalva apertou o cabo com mais força, o rosto vermelho de cansaço. “Eu te puxei porque aquele cabo ia te partir no meio.” Ela repetiu a frase duas vezes, como se precisasse ouvir de novo.

Nina ficou entre os dois, olhando o mecanismo exposto. O elevador ainda rangia de leve, como se reclamasse do peso da conversa. Bruno respirou fundo e cruzou os braços, esperando que Dalva explicasse mais.

A versão da zeladora

Dalva baixou o cabo devagar e apontou para o topo da cabine. “Eu estava no andar de cima quando ouvi o barulho. O cabo começou a ceder e eu só tive tempo de te agarrar antes que ele soltasse tudo.” Bruno balançou a cabeça, descrente. “E por que não chamou a polícia logo depois?”

Ela não respondeu de imediato. Virou o rosto para o lado e ficou em silêncio por alguns segundos. Nina pegou o cabo da mão dela e examinou as marcas de corte. Eram limpas, feitas com ferramenta, não de desgaste natural.

O teste que mudou tudo

Nina desceu até o andar zero com o pedaço de cabo e ligou o multímetro que sempre carregava na bolsa. Os números confirmaram o que Dalva disse: o fio realmente estava prestes a arrebentar. Mas também mostrou que alguém tinha religado a iluminação do clube depois que Bruno foi puxado para fora.

Otávio era o único que tinha a chave do quadro geral. Dalva viu o olhar de Nina mudar e entendeu que a história dela agora era só parte de algo maior. Bruno encostou na parede, cansado, mas ainda desconfiado.

A caixa que ela guardava

Dalva caminhou até o canto do compartimento e tirou uma caixa metálica vermelha de baixo de uma tábua solta. A tinta estava rachada, mas o cadeado continuava fechado. Ela colocou a caixa no chão e olhou para os dois antes de falar. “Eu menti no depoimento de 1998. Disse que a saída estava livre porque o Otávio me pediu.”

O silêncio que veio depois pareceu mais pesado que o ar úmido do subsolo. Nina se agachou perto da caixa sem tocá-la. Bruno só observava, tentando entender o que aquilo mudava para ele. Dalva fechou os olhos um segundo e respirou fundo, como se soltasse algo que carregava há anos. A caixa ficou ali, esperando.