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Do Cimento ao Topo — Capítulo 11: A resposta diante da obra

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Sérgio parou diante do prédio que construiu e viu Tati chegando. A conversa que veio depois mudou o que restava do casamento sem precisar de gritos.

Sérgio parou na calçada em frente ao prédio recém-pronto. O sol já baixava, pintando as paredes de laranja. Ele segurava a caixa de vidro com a colher velha de pedreiro dentro. O que ele ainda não sabia era que aquela conversa no fim da tarde ia decidir tudo.

O prédio que ele construiu

Tati chegou primeiro. Vinha de carro, bem vestida, como sempre. Parou a uns passos dele e ficou olhando o prédio por um tempo.

— Eu vi a foto no jornal — disse ela. — Queria te falar que fico feliz por você.

Sérgio não respondeu de imediato. Colocou a caixa no banco da praça ali perto e sentou. O cansaço dos últimos anos ainda pesava nos ombros, mas agora era diferente.

A recusa sem briga

Tati se aproximou. Falou baixo, quase pedindo.

— A gente podia tentar de novo. As meninas estão bem, mas a casa fica melhor com todo mundo junto.

Ele balançou a cabeça devagar.

— Eu não fiquei rico quando ganhei a construtora. Fiquei rico quando parei de aceitar uma vida onde eu valia tão pouco.

As palavras saíram calmas. Sem raiva. Tati ficou em silêncio. Não chorou, só olhou para o chão. Ele continuou:

— Vou continuar vendo as meninas toda semana. Elas não vão sentir falta de pai. Mas a gente não volta.

Ela assentiu. Virou e foi embora sem dizer mais nada. O carro sumiu na rua.

A conversa que faltava

Roberta apareceu minutos depois. Vinha do canteiro, ainda com o capacete na mão. Parou do lado dele sem sentar.

— Eu não quis atrapalhar — disse ela. — Mas vi a Tati saindo.

Sérgio olhou para a caixa de vidro.

— Ela veio pedir pra voltar. Eu recusei. Agora sinto que posso falar o que quero.

Roberta ficou quieta. Ele continuou:

— Queria saber se você ainda acha que tem algo aqui. Eu só agora me sinto livre pra descobrir.

Ela sorriu de leve, quase tímida.

— Eu também queria descobrir.

Em casa

Quando chegou, já estava escuro. A casa nova cheirava a comida pronta. Lara e Bia correram até a porta. O capacete de mestre de obras ficou nas mãos delas, virando brinquedo.

Sérgio sentou na mesa. O prato fumegava. Pela primeira vez em muito tempo, ele não carregava o peso de ter que aceitar migalhas. Só o calor da comida e o barulho das filhas ao redor.