Júlia saiu de casa com o coração apertado e a blusa grudada de suor. A discussão com Renato tinha sido pior que as outras. Diego estava no carro, esperando como sempre que ela precisasse fugir por alguns minutos.
A chuva que não refrescava
O retrovisor molhado refletia o rosto dela quando entrou no banco do passageiro. Júlia pediu que ele dirigisse, só um pouco, sem rumo certo. Ela queria respirar sem ouvir gritos. Diego ligou o carro sem perguntar mais.
A rua estava escura e quente mesmo depois da chuva fina. Júlia apertou o cinto e ficou olhando para as mãos. Ela já tinha contado a ele sobre a vontade de ir embora. Agora o silêncio entre os dois pesava mais que as palavras.
O que Diego não conseguia esconder
Ele parou em um ponto mais afastado, perto de um bar fechado. A chuva batia no teto do carro e criava um barulho constante. Júlia disse que não aguentava mais pedir licença para tudo. Diego olhou para frente, mãos no volante.
— Eu devia te levar de volta — ele falou baixo. — Mas não consigo fingir que não sinto nada.
O beijo aconteceu rápido, sem planejamento. Júlia sentiu o gosto de culpa na boca dele e também na sua. Quando se afastaram, nenhum dos dois conseguiu olhar o outro nos olhos. A amizade tinha virado outra coisa e não dava mais para voltar atrás.
De volta para casa
Júlia pediu para ser deixada na esquina. Entrou em casa com a decisão tomada. Ia terminar o casamento. Renato estava no sofá, celular na mão, sem dizer nada sobre o que tinha recebido.
Ela não sabia que uma mensagem anônima tinha chegado minutos antes. O futuro da filha ainda dependia de contas que ninguém tinha mostrado. Renato guardava os papéis na gaveta de baixo.
