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Mãe Emprestada — Capítulo 6: A enfermeira sabe de tudo

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Neide segurava o livro de registros na capela e decidiu que trinta anos eram tempo demais. Celina apareceu com dinheiro e ameaças, mas a enfermeira não cedeu tão fácil.

Neide caminhava pelo corredor escuro da capela antiga. O livro de registros apertado contra o peito pesava mais que trinta anos de silêncio. Ela sabia que Celina viria. O que ela ainda não sabia era que aquela noite mudaria tudo para as duas famílias.

A capela vazia

As velas tremulavam sobre o banco gasto. Neide sentou no último banco, o couro do livro velho roçando os dedos. Ela pensou em Antonia e no filho que nunca foi dela de verdade. Pensou em Dudu beijando Isadora no terraço e sentiu o peito apertar.

Passos ecoaram na porta. Celina entrou sem fazer barulho, o casaco escuro contrastando com o mármore. Parou a poucos metros.

A conversa que não podia esperar

— Você não devia estar aqui, Neide — disse Celina, voz baixa e controlada.

Neide ergueu o livro um pouco mais. — Eu não aguento mais guardar isso. Antonia merece saber. Os meninos merecem saber.

Celina deu um passo à frente. — Quanto? Diga o número e acabou. Você já aceitou dinheiro uma vez.

Neide sentiu o estômago embrulhar. O cheiro de cera queimada misturava com o perfume caro de Celina. Ela pensou em todos os anos que ficou quieta, vendo Antonia criar Dudu com o pouco que tinha.

A senhora comprou meu silêncio uma vez, mas minha alma não tem preço duas.

Celina ficou imóvel. Os olhos dela endureceram. — Você está ameaçando a família errada.

O preço do silêncio

Neide se levantou devagar. O livro tremia na mão. — Eu vou contar. Amanhã. Antes que Dudu e Isadora se machuquem mais.

Celina aproximou-se. A voz saiu quase um sussurro. — Se fizer isso, eu destruo tudo. O livro, os registros, qualquer prova que exista. Você volta pra sua vida pobre e eu continuo a minha.

Neide hesitou. O medo subiu pela garganta. Mas algo dentro dela, uma coragem que nascia devagar, não deixou ela sentar de novo. Celina percebeu a mudança no rosto da enfermeira e recuou um passo.

— Você não vai queimar nada — disse Neide. — Porque eu já tirei fotos das páginas.

Celina virou as costas sem responder. No caminho para a porta, já planejava o próximo passo: o arquivo no subsolo, os documentos que ainda podiam ligar os nomes. Ela precisava agir antes que Rafael ou Antonia chegassem lá.