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Mãe Emprestada — Capítulo 5: O beijo que nao podia existir

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Isadora e Dudu se beijam no terraço da festa sem saber o que os une. Neide vê tudo e sente o peso de um segredo antigo que pode destruir as duas famílias.

O que Isadora ainda não sabia era que o beijo que ela tanto desejava carregava um peso que ninguém na festa imaginava. A chuva caía forte no terraço, molhando o vidro das portas e fazendo as luzes piscarem. Dudu segurava uma taça de champanhe, os olhos fixos nela.

A festa sob a chuva

A multidão se apertava dentro do salão, mas Isadora fugira para o ar livre. O vestido colava no corpo por causa da água fina que entrava pelo telhado aberto. Dudu a seguiu sem pensar muito, como sempre fazia.

Celina observava de longe, o rosto duro atrás da janela. Ela apertava o celular, pronta para chamar a filha de volta a qualquer momento.

O encontro no terraço

— Você não devia estar aqui — disse Isadora, baixinho. Dudu deu um passo mais perto. O cheiro de terra molhada misturava com o perfume dela.

Ela já sentia o coração bater diferente desde o esbarrão na festa anterior. Dudu também. Nenhum dos dois falava do que sentia, mas os olhares diziam tudo.

A taça escorregou dos dedos dele e se espatifou no chão de pedra. O som seco cortou o silêncio.

O beijo que não podia existir

Isadora se aproximou primeiro. Os lábios se encontraram devagar, depois com fome. Dudu segurou a cintura dela, sentindo o frio da chuva na pele quente. Por um instante o mundo sumiu.

Neide passava pelo corredor abaixo e viu os dois. Empalideceu. Reconheceu o rosto de Dudu, a forma como ele se mexia, tudo que lembrava a noite do nascimento. Se esse amor for o que eu temo, é o pior dos pecados dessa família, pensou ela.

Celina desceu as escadas apressada, chamando o nome da filha. O beijo durou só mais um segundo antes que os dois se separassem, ofegantes.

Neide apertou a bolsa contra o peito. A decisão que guardava havia trinta anos agora apertava o peito dela também. Ela não podia deixar aquilo continuar. Precisava falar com alguém antes que a verdade explodisse sozinha. A capela do hospital guardava os registros antigos. Talvez ali encontrasse coragem para abrir o que Celina tanto queria manter fechado.