Lia acordou cedo na casa de Dona Rosa e já estava lavando as roupas que tinham sobrado. O que ela ainda não sabia era que uma voz gravada por acaso podia mudar tudo o que tinha acontecido na mansão.
A casa de Dona Rosa
A cozinha era pequena, o fogão velho rangia quando acendia. Lia dobrou as camisetas com cuidado e guardou na gaveta de baixo. Manu tinha chorado no telefone na noite anterior, pedindo para ela voltar logo. Bruno ligara uma vez, mas a ligação caiu no meio.
Dona Rosa trouxe café sem açúcar e sentou do outro lado da mesa. Você não precisa fingir que está bem, ela disse. Lia sorriu de lado e respondeu que estava acostumada a recomeçar.
O áudio que chegou no celular
Bruno estava no escritório quando a empregada nova bateu na porta. Ela segurava um celular com a tela rachada e disse que tinha gravado sem querer durante a recepção. Vânia estava no quarto dos fundos falando baixo com alguém. A voz dela saía distorcida, mas dava para entender: “Coloca a joia no lugar certo, ninguém vai desconfiar da babá”.
Ele ouviu duas vezes. A gravação parava no meio, como se o dedo tivesse apertado parar por acidente. Bruno guardou o aparelho na gaveta e ficou olhando pela janela. Não era prova completa, mas era o suficiente para mostrar que alguém tinha armado.
As máscaras não caem sozinhas; alguém sempre esquece uma testemunha por perto.
Vânia mandou mensagem perguntando se ele ia à festa de gala. Bruno respondeu só com um “sim” e desligou o celular. Sabia que precisava escolher o momento certo para mostrar o áudio. Se falasse agora, Vânia inventaria outra história antes mesmo de todo mundo chegar.
A decisão de esperar
À noite, Bruno ligou para Lia de novo. Ela atendeu no segundo toque e os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Ele contou que estava juntando coisas, sem dar detalhes. Lia disse que Manu precisava de novo sapato e que o dinheiro estava acabando.
Ele desligou pensando na gravação guardada. A mansão ia receber convidados na semana que vem, e Vânia já estava escolhendo vestido. Bruno decidiu que não ia confrontar ninguém ainda. Ia deixar a gravação quieta até o dia em que Vânia não tivesse como escapar de novo. Lia, do outro lado da linha, ainda não sabia que uma prova estava a caminho.
