Alva ficou parada no fundo do salão enquanto Rubra subia os degraus do trono. O peso do pingente no pescoço dela parecia maior que nunca. Margarida apertava sua mão com força.
A coroa que não aceitou Rubra
Rubra colocou a Coroa de Pétalas na cabeça com um sorriso largo. As flores vermelhas começaram a escurecer no mesmo instante. Uma pétala murcha caiu no chão de pedra. A sala inteira ficou em silêncio.
Beladona deu um passo à frente, tentando falar, mas a testemunha que Margarida trouxera já estava no meio do salão. A voz dela saiu baixa, mas clara o bastante para todo mundo ouvir. Ela contou como tinha visto a troca no berço, anos atrás. Como Dama Beladona tinha levado a bebê verdadeira para longe.
Você roubou meu berço, mas não conseguiu ensinar a coroa a mentir.
Alva sentiu o peito apertar. Cravo se colocou na frente dela quando dois guardas deram um passo. Rubra olhou para a mãe adotiva e depois para o chão. Ela admitiu que já desconfiava havia meses e tinha escolhido ficar quieta.
O momento em que a coroa floresceu
Alva subiu os degraus devagar. O pingente de cristal brilhou fraco quando ela tocou a coroa. As pétalas brancas que antes estavam secas começaram a abrir devagar, douradas e brilhantes sob a luz que entrava pelas janelas. Ninguém aplaudiu de imediato. Só se ouviu o som de alguém soltando o ar.
Beladona foi levada pelos guardas sem resistência. Rubra tirou as joias que ainda usava e saiu pelo corredor lateral. Cravo esperou Alva descer os degraus. Ele se ajoelhou não por título ou por sangue, mas porque tinha decidido aquilo antes de saber quem ela era de verdade.
Alva olhou para Margarida no meio da multidão. A mulher sorriu pequeno, com os olhos úmidos. O salão começou a se esvaziar devagar. Alva guardou o pingente de volta no bolso e saiu com Cravo ao lado, sem pressa.
