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Meu Filho Não É Meu — Capítulo 3: A marca que não estava

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Bruna compara fotos antigas e nota que Miguel não tem a marca de nascença que marca toda a família materna, reacendendo a dúvida deixada pelo exame de sangue.

Bruna sentou no sofá da sala com o álbum aberto no colo. A luz da tarde entrava fraca pela janela e o exame amassado ainda estava na cozinha, do outro lado da casa. Ela passou o dedo devagar na pequena marca de nascença que tinha no braço e parou numa foto antiga da mãe. O que ela ainda não sabia era que aquela comparação simples mudaria o jeito como via o filho dali em diante.

As fotos espalhadas na mesa

Bruna virou mais uma página. Na foto da avó, a marca aparecia clara no antebraço esquerdo, igual à dela. A tia também tinha, pequena e escura, bem no mesmo lugar. Miguel brincava no quarto ao lado, e Bruna sentiu o peito apertar só de imaginar que ele nunca tinha mostrado nada parecido.

Ela pegou o celular e abriu as fotos recentes do menino. Nada. Nenhum sinal na pele. Ela já desconfiava que algo não batia desde o exame de sangue, mas agora a dúvida parecia maior, mais concreta.

A conversa com Diego

Diego chegou do trabalho mais cedo e parou na porta da sala. Viu o álbum e suspirou baixo. “Bruna, aparência não prova nada”, disse ele, voz cansada. “Muita gente não herda marca de família.”

Ela ergueu o braço e mostrou a própria marca. “Minha mãe, minha tia, minha prima. Todas têm. Miguel não tem nada.” Diego coçou a nuca, sem saber o que responder. “Meu coração está dizendo que tem alguma coisa errada”, completou Bruna, baixinho.

A lembrança da maternidade

Mais tarde, enquanto arrumava a mesa para o jantar, Bruna parou no meio do movimento. Lembrou da enfermeira que entrou apressada no quarto naquela noite, mãos tremendo, evitando olhar nos olhos. O prato de arroz ficou esquecido na bancada.

Ela subiu as escadas devagar e abriu o armário do quarto de casal. A caixa de papelão que trouxera da maternidade estava no fundo, empoeirada. Bruna tirou a tampa e encontrou a pulseira plástica, o nome quase apagado. Uma ficha com o horário do parto e um bilhete da enfermeira que nunca tinha lido direito.

Ela sentou no chão e passou os dedos pela pulseira. A foto rasgada que estava dentro da caixa caiu no colo. Bruna olhou para o pedaço faltando e pensou que precisava conferir os registros antigos da maternidade. Talvez alguém soubesse o que aconteceu naquela noite.