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Meu Filho Não É Meu — Capítulo 4: O nome apagado do arquivo

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Bruna encontrou duas fichas de nascimento no mesmo horário e o nome de Sônia riscado. O que ela descobriu no endereço antigo mudou tudo o que sabia sobre Miguel.

Bruna parou diante do balcão da antiga maternidade reformada e pediu os arquivos da noite em que Miguel nasceu. A atendente hesitou, olhou o computador e disse que alguns papéis daquele plantão haviam sumido. O que Bruna ainda não sabia era que alguém tinha mexido nos registros da maternidade depois daquela noite.

A busca nos registros da maternidade

Ela insistiu. Mostrou a certidão de nascimento e explicou que precisava confirmar detalhes do parto. A mulher atrás do balcão suspirou e sumiu por alguns minutos. Voltou com uma pasta empoeirada.

— Tem quase nada aqui. Muita coisa foi perdida na reforma — disse a atendente.

Bruna abriu a pasta devagar. Duas fichas de nascimento apareciam no mesmo horário. Uma delas trazia o nome de Sônia riscado com caneta preta. O nome da enfermeira não estava mais na escala oficial.

O que faltava na ficha

Ela leu os dados que sobravam. Duas mães, dois bebês, quase no mesmo minuto. Nenhuma anotação sobre complicações. Só um carimbo antigo dizendo “arquivo transferido”. Bruna sentiu o coração bater mais forte. Alguém quis apagar essa parte.

Ligou para Diego, mas a chamada caiu na caixa postal. Ela guardou a pasta e pediu o endereço mais antigo que aparecia no sistema. A atendente hesitou de novo, mas acabou anotando um número nos Jardins.

O endereço que levava à outra mãe

Bruna saiu do hospital com a folha dobrada no bolso. O nome Sônia continuava martelando na cabeça dela. Na rua, parou para olhar a foto de Miguel que levava na carteira. O menino sorria, sem a menor marca de nascença que todos na família dela tinham.

— Meu coração está dizendo que tem alguma coisa errada — repetiu em voz baixa, repetindo as palavras que já tinha dito para Diego.

— Alguém mexeu nesses registros depois daquela noite — murmurou para si mesma.

O ônibus a levou até o bairro indicado. Bruna desceu e caminhou duas quadras até parar em frente a um portão alto de ferro. Do lado de dentro, um menino brincava com um carrinho vermelho. Ela parou. Os olhos dele eram exatamente iguais aos seus.