Bruna parou do outro lado do portão de ferro frio e sentiu o peito apertar. O menino que corria atrás de um carrinho de brinquedo tinha os olhos castanhos amendoados dela, idênticos. Diego ficou ao lado, em silêncio, mas a tensão entre eles cresceu rápido. Só mais tarde, quando a tarde já escurecia, é que tudo aquilo faria sentido de verdade.
Os portões da mansão nos Jardins
O carrinho ficou parado na escada de pedra, abandonado. Bruna apertou o celular na mão e respirou fundo antes de apertar a campainha. Queria falar com a dona da casa sem explicar tudo de uma vez. Patrícia apareceu na porta com uma expressão de quem não esperava visitas.
— Boa tarde. Posso ajudar? — perguntou Patrícia, já olhando de relance para o menino que brincava no gramado.
Bruna não conseguiu responder na hora. Olhou Théo de novo e sentiu a certeza bater forte. Aquele menino tem os meus olhos.
O reencontro que ninguém esperava
Diego deu um passo à frente e parou. Patrícia piscou duas vezes, reconhecendo o rosto que não via há anos. O silêncio ficou pesado, carregado de algo que os dois preferiam não nomear na frente de Bruna. Ela sentiu, mas fingiu não notar.
— Diego? — disse Patrícia, baixinho.
Ele assentiu, sem sorrir. Bruna observou os dois e entendeu que havia um passado ali, mas guardou a pergunta para depois. Queria focar no menino.
A conversa que não podia esperar
Patrícia convidou os dois a entrarem, mas mudou de ideia no meio do caminho. Preferia conversar no jardim, longe dos ouvidos da sogra. Théo correu até eles, curioso, e Bruna sentiu o coração bater mais forte ao ver de perto o rosto parecido com o de Miguel.
— Eu sempre achei que algo não batia no nascimento dele — admitiu Patrícia, depois de alguns minutos. — A enfermeira parecia nervosa, minha sogra controlava tudo. Nunca consegui perguntar direito.
Ela aceitou conversar em segredo.
Bruna explicou o que tinha descoberto no hospital sem entrar em detalhes sobre Miguel. Patrícia ouviu calada, depois olhou para o filho brincando. Concordou em se encontrar de novo, longe da mansão. Antes de se despedirem, Diego e ela trocaram um olhar rápido que Bruna fingiu não ver. A noite caiu sobre o jardim e o carrinho continuou ali, esquecido na escada.
