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O Golpe no Prato — Capítulo 5: Alguém abriu a porta

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Larissa encontrou a porta entreaberta no corredor de serviço e a chave ainda na fechadura. O funcionário admitiu que alguém de dentro passou as informações para Abacácio, e apontou Madalena como a …

Larissa desceu pelo corredor de serviço quase às escuras. A porta dos fundos estava entreaberta, a chave ainda balançando na fechadura. Ela parou, sentindo o frio que vinha do pátio. O que ela ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.

A porta entreaberta

Ela empurrou devagar. O cômodo de estoque estava como sempre, caixas empilhadas, cheiro de detergente. Nada parecia fora do lugar. Mas a chave na fechadura não era da casa. Larissa a tirou e guardou no bolso.

Banâncio apareceu no final do corredor, carregando uma bandeja vazia. Ele parou ao ver a expressão dela.

— O que foi?

— Alguém esqueceu isso aqui aberto. De propósito.

A traição interna

Eles chamaram o funcionário mais novo, o que limpava os fundos toda noite. Ele entrou no escritório já suando, as mãos sujas de graxa. Larissa fechou a porta. Banâncio ficou em pé ao lado.

— Você recebeu dinheiro — disse ela, direto. — Para passar plantas do restaurante, horários da equipe, tudo.

O rapaz olhou para o chão. Depois para Madalena, que acabara de entrar sem bater.

— Eu só obedeci. Era ordem de quem está aqui há mais tempo.

O golpe não entrou pela porta da frente; alguém daqui abriu para ele.

Larissa sentiu o ar faltar por um segundo. Banâncio cruzou os braços. Madalena não se mexeu.

O nome que saiu

O funcionário respirou fundo antes de continuar.

— Foi ela que me apresentou primeiro. Disse que era só pra ganhar um extra, que o homem pagava bem e não fazia mal pra ninguém.

Madalena deu um passo atrás. Larissa não piscou. A pilha de papéis da noite anterior ainda estava na mesa, os recibos de outros restaurantes marcados com caneta vermelha. Banâncio olhou de uma para a outra, a boca seca.

— Eu gravei o áudio — avisou o rapaz, baixo. — Se quiserem.

Larissa pegou o celular dele. A voz de Abacácio estava clara no arquivo, marcando os dias e os valores. Madalena encostou nas costas da cadeira, como se precisasse de apoio.

— Eu ia contar — começou ela. Mas parou. Ninguém respondeu.

Larissa guardou o celular. O silêncio no escritório ficou pesado, só o barulho da chuva lá fora. Ela pensou na dívida que carregava, no quanto Abacácio já sabia. Banâncio ficou perto da porta, olhando para o corredor escuro. O próximo passo ia depender de quem mais estava envolvido, e ninguém ali sabia ainda o quanto isso ia custar.