Larissa ainda carregava o áudio da confissão do funcionário no celular, sem saber direito o que fazer com ele. A porta da cozinha entreaberta já mostrava que o problema estava dentro. O que ela não sabia era que a pior parte daquela manhã ainda estava por vir.
A travessa que caiu no chão
Madalena estava no centro da cozinha, verificando os pratos que saíam. Larissa parou na entrada e chamou por ela sem levantar a voz. A chef olhou para trás, viu a cara da gerente e soltou a travessa de porcelana que segurava. O barulho ecoou entre as panelas e os fogões. Pedaços brancos espalharam pelo piso, parados entre os pés dela.
Banâncio, que limpava uma bandeja ali perto, parou no meio do movimento. Larissa deu dois passos à frente.
O que Madalena não queria contar
— Me explica isso — pediu Larissa, apontando o celular. — O garoto disse que você apresentou ele pro Abacácio.
Madalena limpou as mãos no avental. Olhou para Banâncio, depois para o chão.
— Isso foi há anos. Eu ajudava ele em coisas pequenas, só pra ganhar um extra. Parei tudo depois. Mas ele não deixou. Começou a me cobrar favores de novo.
Banâncio apertou a bandeja com mais força. Larissa esperou.
Eu ajudei a criar o homem que hoje está tentando destruir vocês.
Madalena continuou falando baixo. Disse que os golpes eram só informações de dentro, nunca nada grave no começo. Que parou quando viu que Abacácio estava indo mais longe. Que ele ameaçou contar pro dono do restaurante sobre o passado dela se ela não cooperasse.
O que Larissa descobriu depois
Larissa mandou Madalena sair da cozinha por alguns dias. Disse que precisava pensar. A chef saiu sem discutir, os sapatos fazendo barulho nos cacos. Banâncio ficou ali, olhando a travessa quebrada.
Mais tarde, no escritório, Larissa ouviu o áudio de novo. Uma frase do funcionário voltou: Abacácio sabia de uma dívida antiga dela, de quando ela ainda trabalhava em outro lugar. Detalhes que ninguém no restaurante deveria saber. Ela desligou o celular e ficou olhando a mesa vazia.
Abacácio já tinha mais do que o restaurante nas mãos. Larissa guardou o telefone no bolso e saiu para o corredor. Banâncio estava encostado na parede perto da porta do escritório, esperando.
