Larissa fechou a porta do escritório e se deixou cair na cadeira. A conversa com Madalena ainda ecoava na cabeça dela, misturada com a notícia de que Abacácio sabia da dívida. Ela não imaginava que o resto da tarde guardava uma complicação que ia misturar ainda mais as coisas no restaurante.
A discussão que ninguém ouviu
Banâncio bateu devagar antes de entrar. Ele viu Larissa com o rosto entre as mãos e parou na porta. Ela parecia menor ali, longe do salão cheio. “Precisa de algo?” ele perguntou baixo.
“Pode ir, Banâncio. Eu resolvo sozinha.” A voz dela saiu cansada, sem a firmeza de sempre. Ele hesitou, mas entrou mesmo assim e fechou a porta atrás de si.
A taça esquecida na mesa
Eles ficaram em silêncio por alguns minutos. Banâncio puxou uma cadeira e sentou do outro lado da mesa. Uma taça de água esquecida estava ali, entre os dois. As mãos dele quase tocaram as dela quando ele empurrou o copo para perto.
“Eu vi o que aconteceu com Madalena. Não é fácil.” Larissa ergueu o olhar. “Você é garçom. Eu sou gerente. Isso já complica tudo.”
Banâncio balançou a cabeça. “Eu sei. Mas não consigo mais fingir que não sinto nada.”
O beijo atrás da porta
Larissa quis protestar, mas as palavras não saíram. Banâncio se inclinou devagar. O beijo foi curto, quase tímido. Quando se afastaram, ela encostou a mão na testa. “Lá fora eu sou sua chefe, mas aqui dentro eu não consigo fingir que não sinto nada.”
Ela recuou primeiro. “Isso não pode acontecer. A diferença de idade, o cargo… as pessoas vão falar.” Banâncio ficou quieto, mas não discordou. Eles saíram do escritório em momentos diferentes, com alguns minutos de intervalo.
O olhar que viu tudo
Abacácio estava no corredor que dava para o salão fechado. Ele viu Banâncio sair primeiro, depois Larissa com o cabelo um pouco bagunçado e o rosto vermelho. Ele sorriu sozinho. Aquela fraqueza nova era útil. Ele já pensava em como usar o que tinha acabado de descobrir.
