Camila estacionou o carro na rua de paralelepípedos do bairro antigo. A placa enferrujada de venda balançava na frente da casa modesta. Ela tinha subido ali atrás de respostas sobre a avó. O que ela ainda não sabia era que o preço daquela faculdade ia pesar mais do que imaginava.
A placa enferrujada
Camila desceu do carro e ficou parada na calçada. A casa parecia menor do que nas lembranças que a avó contava. O jardim virara mato seco. Uma vizinha idosa passou e parou ao vê-la.
— Você é da família Ferreira? — perguntou a mulher.
Camila confirmou com a cabeça. A vizinha suspirou e apontou para a placa.
— Sua avó vendeu tudo pra pagar a faculdade do seu pai. Trabalhou três empregos por anos. Nunca falou pra ninguém.
Camila sentiu o peito apertar. Entrou no quintal sem pedir licença.
O que a avó nunca contou
Lúcia estava sentada num banco de madeira no fundo do quintal. Quando viu a neta, endireitou as costas.
— Como você achou esse endereço?
Camila sentou ao lado dela. Contou que tinha seguido os papéis antigos que encontrou na mansão. Lúcia ficou em silêncio por um tempo longo.
— Eu vendi a casa para ele ter um futuro. Não sabia que ele venderia o passado para ter vergonha de mim.
Eu vendi minha casa para ele ter um futuro; não sabia que ele venderia o passado para ter vergonha de mim.
Camila sentiu raiva subir. Perguntou por que a avó nunca tinha contado. Lúcia pediu para não usar isso contra o filho.
— Ele é meu filho. Eu fiz o que mãe faz.
A decisão de voltar
Camila voltou para a mansão já escuro. No caminho, o celular tocou. Era Helena. A sócia falou baixo, como quem não quer ser ouvida.
— Os comprovantes que eu copiei estão confirmados. Dinheiro da empresa foi pra conta particular dele. Vários depósitos nos últimos dois anos.
Camila parou o carro na garagem. Olhou para a casa de vidro e mármore. Decidiu que ia confrontar o pai naquela mesma noite. Lúcia tinha pedido silêncio. Mas Camila não conseguia mais guardar.
