Camila pediu o café sem açúcar, como sempre. Davi chegou alguns minutos depois, com a pasta marrom debaixo do braço. O lugar era pequeno, duas quadras de uma estação de metrô, longe o suficiente do Morumbi para ninguém os reconhecer. Ela já desconfiava que aquele encontro não ia ser só para conversar.
O café longe do Morumbi
Davi pediu um pão na chapa e colocou a pasta sobre a mesa. Não abriu logo. Ficou mexendo no guardanapo, olhando para os carros que passavam. Camila esperou. Quando ele finalmente falou, a voz saiu baixa, quase sem fôlego.
— Eu precisava de provas contra seu pai. Comecei a te seguir por causa disso.
Ela sentiu o ar pesar. O café ficou ali, esfriando, sem ninguém tocar.
A pasta marrom
Davi abriu a pasta. Dentro havia cópias de contratos, transferências, nomes que Camila reconhecia da empresa do pai. Ele explicou que a mãe dele tinha perdido o comércio depois de uma manobra de Marcelo. Que ele entrou na vida dela só para descobrir mais. Depois, disse que se apaixonou de verdade. Que parou de investigar, mas já era tarde.
Camila olhou os papéis sem tocar neles. As mãos dela tremiam um pouco em cima da mesa.
Você começou me usando e terminou me amando; eu não sei qual das duas coisas dói mais.
Ela levantou, deixou o café intacto e saiu. Davi ficou sentado, a pasta ainda aberta.
O que Marcelo descobriu
Marcelo estava no escritório quando viu o log de acesso. Helena tinha entrado nos arquivos financeiros duas vezes naquela semana. Ele conferiu os horários, comparou com as reuniões que ela tinha marcado. Tudo batia. Ela sabia dos desvios. E agora ele sabia que ela sabia.
Ele fechou a tela do computador e ficou olhando para a porta fechada. O telefone tocou uma vez. Ele não atendeu.
