Lia voltou à mansão dias depois, mas desta vez a porta da sala principal estava aberta antes mesmo dela tocar a campainha. Bruno tinha pedido que ela viesse, sem uniforme, sem agenda de babá. O que ela ainda não sabia era que aquela tarde mudaria o lugar dela na casa para sempre.
O reencontro na sala
Bruno esperava no mesmo sofá onde Vânia havia sido confrontada. Ao lado dele, uma cadeira vazia que parecia reservada. Lia entrou devagar, sentindo o olhar da mãe dele fixo nela. Dona Vitória não sorriu, mas também não desviou os olhos.
— Sente aqui — pediu Bruno, puxando a cadeira. — Precisamos falar sem pressa.
Lia obedeceu. O bebê mexia devagar, como se soubesse que o momento era sério. Manu apareceu na porta com a boneca de pano no colo e parou, esperando permissão para se aproximar.
A boneca ao lado da joia
Bruno pegou a boneca das mãos da filha e a colocou sobre a mesa de centro. Ao lado, a joia que Vânia tinha usado na armação ainda descansava no mesmo prato de prata. As duas coisas pareciam pequenas e diferentes, mas estavam ali juntas por decisão dele.
— Essa boneca foi presente de Lia — explicou Bruno para a mãe. — E essa joia quase custou o nome dela. Quero que fique claro qual das duas tem mais valor aqui.
Dona Vitória olhou para os objetos em silêncio. O rosto dela parecia mais cansado do que Lia lembrava. Manu sentou no chão, encostando a cabeça na perna da babá sem dizer nada.
O pedido de desculpas
— Eu julguei você pela roupa que vestia — disse Dona Vitória por fim. A voz saiu baixa, sem o tom de comando de antes. — Achei que isso bastava pra saber quem você era. Errei.
Lia sentiu o peito apertar. Não esperava ouvir aquilo. Queria ser aceita pelo que era, não só porque carregava o neto da mulher.
— Não quero entrar nessa família só por causa do bebê — respondeu ela. — Se for pra ficar, tem que ser por mim também.
O nome desta família vale menos que o amor de quem ficou quando todos mandaram ir embora.
Bruno apertou a mão de Lia. Manu se levantou e abraçou a barriga dela com cuidado. Dona Vitória não chorou, mas inclinou a cabeça como quem aceitava um peso novo.
A saída de Vânia
Vânia não apareceu. Uma mensagem curta no celular de Bruno informou que ela havia deixado a cidade. Ninguém perguntou detalhes. A sala ficou mais leve depois da notícia.
Bruno olhou para a mãe, depois para Lia.
— Eu escolho ficar com ela. Aqui ou em qualquer outro lugar.
Dona Vitória assentiu uma vez. O olhar dela parou na boneca e na joia, como se comparasse o peso das duas coisas mais uma vez. Lia sentiu o bebê mexer de novo, agora com mais força. Pela primeira vez em meses, o silêncio na mansão não parecia uma ameaça.
