Vanessa segurava a taça de champanhe com força quando viu Marcelo no centro do salão. Ele usava um terno simples, mas sorria de um jeito que ela não reconhecia mais. O vidro escapou dos dedos dela e caiu no piso de mármore, estourando em pedaços molhados. Só no fim da noite é que ela entenderia que a quebra não tinha sido só do copo.
O copo que se quebrou
Vanessa se aproximou devagar, tentando sorrir como se nada tivesse mudado. Marcelo, disse ela baixinho, a separação foi besteira. Ele ficou parado, as mãos nos bolsos, sem dar um passo à frente. Henrique observava de longe, o rosto duro, tentando entender quem era aquele homem que sua companheira chamava pelo nome.
A mão que segurou a dele
Lívia chegou minutos depois, o vestido preto simples mas elegante. Ela parou ao lado de Marcelo e pegou a mão dele sem hesitar. O gesto foi discreto, mas suficiente para quem estava por perto notar. Vanessa sentiu o estômago apertar. Henrique franziu a testa e se afastou um pouco mais.
Eu conheci o homem quando ele ainda chegava em casa cheirando a produto de limpeza; você só lembrou que amava quando sentiu cheiro de dinheiro.
A frase saiu de Lívia baixa, só para Vanessa ouvir. Marcelo não reagiu, mas não soltou a mão dela. Vanessa deu um passo para trás, o salto ecoando no piso.
O confronto na gala
Henrique voltou com duas taças e parou na frente de Vanessa diante de três casais que conversavam perto. Ele falou sem levantar a voz, mas todo mundo parou para escutar. Você mentiu sobre de onde veio o dinheiro, sobre o passado, sobre quem você era antes de me conhecer. Vanessa ficou vermelha, o batom borrado no canto da boca. Marcelo virou o rosto, puxando Lívia para o outro lado do salão.
Lívia apertou os dedos dele uma vez, como quem diz que estava tudo bem. Marcelo olhou para o relógio. Ainda faltavam horas para o fim da festa, mas ele já sabia que não voltaria para casa sozinho. Vanessa, do outro lado, via Henrique se afastar e sentia o salão inteiro olhando para ela.
