Cléo terminava de passar a última camada de esmalte quando o frasco escorregou da mesa de centro. O líquido vermelho escorreu direto no vestido branco de Vivian. A mancha se espalhou rápido, como tinta fresca em tecido caro.
O tombo do esmalte
Vivian olhou para baixo e soltou um suspiro longo. Cléo já estava de joelhos tentando limpar com um pano que tirou da bolsa. A madame deu dois passos para trás.
— Isso é seda italiana. Não se limpa com qualquer coisa.
Cléo ficou em silêncio. Sabia que falar agora só pioraria. Vivian pegou o telefone e ligou para o serviço de limpeza do condomínio. Pediu que mandassem alguém tirar o vestido e ainda mandou descontar o valor do pagamento da manicure.
A ligação que mudou tudo
Enquanto esperavam o elevador de serviço, o celular de Vivian tocou. Ela atendeu sem se preocupar com a presença de Cléo. A conversa foi curta, mas as palavras saíram claras.
Eu armei tudo, e a culpa caiu na empregada.
Cléo guardou o frasco de volta na maleta. Não perguntou nada. Só terminou de guardar os esmaltes e saiu quando a faxineira chegou. No elevador, repetiu a frase na cabeça duas vezes.
O regresso para casa
Em casa, Iraci já tinha deixado o jantar na mesa. Cléo não tocou na comida. Foi direto para o quarto e pegou a foto antiga que ficava em cima da cômoda. A mãe aparecia de uniforme, com o cabelo preso e um sorriso cansado. Quem era a empregada que Vivian mencionou?
Cléo sentou na beira da cama. A mancha vermelha ainda parecia estar nas mãos dela. Ela decidiu que no dia seguinte faria mais perguntas. Não para Vivian, mas para quem pudesse lembrar dos fatos antigos.
