Alva encostou a mão na roseira seca sem pensar muito. As hastes pareciam mortas havia semanas, mas em segundos botões verdes surgiram e se abriram. Moradores do Campo dos Simples pararam o que estavam fazendo para olhar. O que ela ainda não sabia era que essa manhã simples ia chegar aos ouvidos de quem mandava no castelo.
A roseira que voltou a viver
Alva ficou parada, olhando a palma da própria mão. Uma pétala vermelha escura grudou na pele úmida. Os vizinhos cochichavam. Uma mulher mais velha murmurou que aquilo não era normal. Alva só queria entender por que as flores mortas obedeciam a ela.
Dona Margarida chegou correndo, o xale escorregando do ombro. Ela sorriu forçado e disse que o vento devia ter trazido sementes novas. Alva olhou para ela. Ela já desconfiava que a velha guardava algo maior.
O que Dona Margarida tentava esconder
— Deixa isso pra lá, menina — pediu Margarida baixo, puxando Alva pelo braço. — Não convém chamar atenção. O campo é lugar de quem trabalha quieto.
Alva tirou o braço devagar. O pingente de cristal balançou no pescoço. Ela sentiu o peso dele de um jeito diferente hoje. As pessoas ao redor ainda olhavam a roseira agora cheia de flores.
A notícia que subiu o morro
Uma das moças que colhia ervas correu até a estrada. Ela contou para quem quisesse ouvir que a órfã do campo tinha feito uma roseira seca dar flor de novo. A história chegou ao castelo antes do meio-dia. Beladona ouviu sentada na sala de mapas. Ela apertou os dedos no braço da cadeira.
As pessoas podem mentir sobre quem você é, mas a natureza parece lembrar.
Beladona chamou um dos guardas de confiança. Mandou que ele descesse ao campo sem se apresentar. Queria saber tudo sobre a moça que carregava um pingente de cristal e fazia flores nascerem. O homem assentiu e saiu sem fazer perguntas.
O príncipe chega ao reino
Enquanto isso, na estrada principal, um grupo de cavaleiros entrou por Floralém. O príncipe Cravo vinha cumprir o noivado combinado. Ele olhava o castelo ao longe sem demonstrar interesse. A carruagem parou perto do portão. Rubra já esperava na escada, vestida de vermelho forte.
Do outro lado do muro, Alva ainda tentava tirar as pétalas da mão. Dona Margarida a observava em silêncio. O guarda enviado por Beladona já caminhava disfarçado entre as árvores do campo. Cravo desceu do cavalo e olhou para o jardim interno, sem saber que ali dentro também existia alguém que fazia flores nascerem.
