Maurício parou na calçada do café em Moema e olhou o guarda-chuva caído na poça. A chuva caía forte, mas ele não se mexeu. Precisava falar com Helena antes que o dia acabasse. O que ele ainda não sabia era que alguém já observava tudo de longe.
A busca por Helena na chuva
Ele entrou no café molhado e pediu um café sem açúcar. Helena estava no canto, sozinha, com o notebook aberto. Quando viu Maurício, fechou a tela devagar.
— Vim pedir desculpa — disse ele, sentando sem esperar convite. — Por tudo que minha mãe fez. Por eu ter aceitado.
Helena ficou quieta um tempo. Depois respondeu baixo: — Você ainda é casado, Maurício.
Vanessa chega sem ser vista
Do outro lado da rua, dentro do carro, Vanessa apertava o volante. Tinha seguido Maurício desde a garagem depois de ouvir a conversa com Nando. O motor estava desligado, mas o vidro embaçava com a respiração dela.
Ela desceu devagar, abriu o guarda-chuva e parou na calçada em frente. A chuva batia forte no plástico. Do lugar onde estava, via os dois perfeitamente.
O quase beijo
Maurício estendeu a mão por cima da mesa. Helena não se afastou. O guarda-chuva dele continuava no chão, encharcado. Os dois se inclinaram um pouco mais.
O pior castigo é descobrir que eu comecei a te amar quando você já tinha motivo suficiente pra me odiar.
Vanessa sentiu o peito apertar. Não era só ciúme. Era a certeza de que os pagamentos de Dona Lúcia já não bastavam pra explicar o que ela sentia agora.
Ela deu um passo atrás, molhando os sapatos. Virou o rosto e caminhou rápido até o carro. Antes de ligar o motor, mandou uma mensagem para si mesma no celular: “Vou contar tudo. Antes que ela compre meu silêncio de novo.”
