Caio ficou no terraço depois do expediente, olhando a chuva fina que caía sobre os prédios. Duas taças de vinho estavam esquecidas na mesa de concreto. Ele não esperava mais ninguém ali.
O terraço sob a chuva fina
Helena apareceu de repente, o casaco molhado nos ombros. Disse que tinha lido o relatório dele sobre as irregularidades no setor de contratos. Caio respondeu que era só parte do trabalho. Ela agradeceu de um jeito que não parecia de chefe.
Ele tentou manter distância. Falou que precisava ir embora logo. A cidade lá embaixo parecia distante, com as luzes amarelas tremendo na água.
A conversa que não deveria ter acontecido
Helena encostou na grade e falou baixo. O casamento com Augusto era coisa de família, um acordo que ninguém mais questionava. Caio ficou em silêncio. Sabia que ela era noiva, sabia que o mundo deles não se misturava.
— O problema não é você ser noiva — ele disse por fim. — É eu não conseguir esquecer que você é.
Helena ficou parada. A chuva aumentou um pouco. Caio sentiu o coração bater forte, como se tivesse falado demais.
O beijo interrompido
O beijo aconteceu rápido, sem planejamento. As mãos dela no casaco dele, o gosto de chuva nos lábios. Durou poucos segundos. Depois veio a culpa, pesada, dos dois lados.
Ela se afastou primeiro. Caio baixou a cabeça. Nenhum dos dois disse nada por um tempo. A noite parecia maior do que antes.
No dia seguinte, Augusto recebeu uma fotografia no celular. A imagem mostrava os dois no terraço, bem próximos. Ele olhou a tela por um longo minuto antes de guardar o aparelho no bolso.
