A manhã chegou clara na cozinha simples da Helena. Ela abriu o jornal sobre a mesa de madeira, ao lado da caneca de café fumegante. Leu a manchete. Sorriu lento.
— Saiu — sussurrou ela, com a mão na boca. — Saiu mesmo, gente.
Estava tudo ali. Cada mentira do Ricardo. Cada prova que as quatro mulheres tinham montado juntas. Na capa do maior jornal da cidade.
O vilão acorda
Na cobertura, o Ricardo arremessou o celular contra a mesa de mogno. A camisa branca aberta, o rosto pálido. Mas em poucos segundos o sorriso frio dele voltou — aquele sorriso que ele tinha quando ainda achava que mandava no jogo.
— Ela não devia ter ousado tanto — disse, baixinho. — Ela acha que ganhou. Mas eu ainda tenho a última peça desse jogo guardada.
Pegou o celular do chão. Ajeitou a camisa devagar. Saiu do apartamento.
“Vinte anos eu rezei”
Na sala simples da casa de bairro, a Dona Marlene leu o jornal sentada no sofá puído. Tirou os óculos devagar. Levou a mão ao peito. Olhou pra cima e as lágrimas vieram.
— Minha filha venceu, Deus do céu — falou ela, baixinho, pra ninguém. — Vinte anos eu rezei pela justiça dessa menina. Vinte anos. Hoje Deus respondeu.
Dobrou o jornal com cuidado. Apertou contra o peito. Fechou os olhos com um sorriso.
A promessa pro filho
Na recepção da clínica, a Bruna esperava o retorno do médico segurando a foto do ultrassom. A mão direita repousava sobre a barriga grande. Ela olhou pra foto e sorriu pequeno, firme.
— Eu não tô fazendo isso por mim, Ricardo — falou ela, baixinho. — Eu tô fazendo por ele. Meu filho não vai crescer ouvindo que o pai dele foi um canalha. Vai crescer sabendo que a mãe foi mais forte.
Passou o dedo carinhoso sobre a foto. Apertou contra o peito junto com a barriga.
O brinde da Vanessa
Na mesa externa de um café elegante do Leblon, a Vanessa pediu um espumante. Quando a taça chegou, ela ergueu sozinha pra cidade.
— Pela mulher que eu fui — falou ela, com um sorriso lento. — E pela que eu virei. Fui amante a vida inteira. Hoje eu virei aliada. Não sei qual versão eu prefiro, mas essa eu durmo em paz.
Deu um gole no espumante. Fechou os olhos um instante. Abriu com paz no rosto.
O envelope branco
Era pra ser o dia mais lindo da Helena.
Ela tinha saído pra comprar pão. Caminhava na calçada elegante do bairro quando viu o Ricardo parado na esquina. Terno escuro. Envelope branco selado na mão. Sorriso frio.
— Helena — disse ele, baixinho. — Lê isso aqui antes de comemorar.
Ela parou. Não entendeu.
— É uma carta da Bruna — continuou ele, voz cruel calma. — Escrita pra mim. Você não vai gostar do que ela diz.
Ele estendeu o envelope. A Helena pegou. As mãos tremiam.
A traição que ninguém viu
Ela abriu o envelope ali mesmo. Tirou a carta. Leu uma linha.
O sangue sumiu do rosto dela.
Mais tarde, sentada sozinha numa mesa externa de um café tranquilo, com o vapor da xícara subindo na frente do rosto, a Helena finalmente assimilou.
— A Bruna sabia, gente — disse pra si mesma, com um sorriso pequeno e amargo. — Sabia desde o começo.
Levou a xícara à boca. Deu um gole.
— Eu achei que tinha uma aliada. Tinha mais uma jogadora no tabuleiro. Que coisa, né?
👉 O que a Bruna escreveu na carta? Ela sempre esteve do lado do Ricardo? Ou é mais uma armadilha do vilão? O Capítulo 9 já está nos nossos Stories no Instagram — corre lá pra desvendar o jogo da Bruna.
