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Do Cinema ao Topo — Capítulo 3: A dívida no meu nome

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Sérgio encontrou os boletos espalhados e um cartão cortado. Tati minimizou as dívidas, mas um comprovante maior apareceu escondido e mostrou que o problema era pior do que parecia.

Sérgio chegou em casa depois das onze, com o corpo doendo da obra. A cozinha estava escura, só a luz do corredor acesa. Sobre a mesa da sala ele viu os papéis espalhados, contas amassadas e um cartão cortado ao meio. O que ele ainda não sabia era que aquela noite guardava uma resposta que mudaria tudo.

Os boletos sobre a mesa

Ele acendeu a luz e começou a juntar os papéis. Um empréstimo consignado no nome dele. Duas faturas de cartão com compras que ele nunca viu. Um boleto de loja de roupas que chegava a quase três mil reais. Tati dormia no quarto, a porta entreaberta.

Sérgio sentou na cadeira e leu tudo de novo. O coração batia mais rápido, mas ele respirava devagar. Queria entender o tamanho antes de acordá-la. As meninas estavam no outro quarto, o sono tranquilo delas contrastava com o que ele via ali.

A conversa que não podia esperar

Ele foi até o quarto e chamou Tati. Ela acordou irritada, reclamando do horário. Quando viu os papéis na mão dele, o rosto mudou.

“Isso não é nada grave”, disse ela, sentando na cama. “São coisas que a gente precisa.”

Sérgio colocou os boletos na colcha. “Isso está no meu nome. Tudo. Eu não autorizei nenhum desses empréstimos.”

Tati olhou para o lado. “Você ganha pouco. Alguém tinha que dar um jeito.”

Você não traiu só a minha confiança, Tati; você vendeu anos da minha vida sem me perguntar.

O comprovante escondido

Tati tentou explicar que eram necessidades das meninas, que ele trabalhava tanto que não via o que faltava em casa. Sérgio não respondeu. Ele guardou os papéis de volta na mesa e foi para a cozinha tomar água. O silêncio ficou pesado.

Enquanto procurava um copo, viu um envelope atrás do liquidificador. Abriu sem pensar. Era outro comprovante de empréstimo, esse maior ainda, feito há dois meses. O valor era quase o que ele ganhava em três meses de obra.

Ele guardou o papel no bolso e ficou olhando para o quintal escuro. As filhas precisavam de estabilidade, mas não desse jeito. Algo tinha que mudar, e ele sabia que não seria só o salário.