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Do Cinema ao Topo — Capítulo 4: A noite em que disse chega

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Sérgio esperou as meninas dormirem para falar com Tati. A aliança na mesa parecia pesar mais que todas as dívidas que ela tinha feito. Ele sabia que a resposta dela ia complicar tudo.

Sérgio ficou sentado na sala depois que as meninas foram para o quarto. A aliança estava sobre a mesa, ao lado do copo vazio. Ele sabia que aquela conversa não ia terminar fácil, mas ainda não tinha ideia de como Tati ia reagir quando ouvisse o que ele planejava.

A aliança sobre a mesa

Tati chegou da cozinha e parou na porta. Olhou para o anel e depois para ele. “Vai ficar aí o dia todo olhando isso?”, perguntou. A voz saiu mais baixa do que de costume. Sérgio respirou fundo antes de responder. “Sente aqui. Preciso falar com você.”

Ela se sentou devagar. O silêncio da casa parecia maior agora que Lara e Bia dormiam. Sérgio apontou para os papéis que já tinha separado na mesa. “Eu descobri o resto das dívidas. Não dá mais pra continuar assim.”

A ameaça sobre as crianças

Tati apertou os braços contra o peito. “Você não vai levar as meninas. Eu sei que você não tem onde ficar.” Ela falou baixo, mas as palavras saíram cortando. Sérgio sentiu o peito apertar, mas não desviou o olhar. “Eu não estou abandonando minha família; estou parando de abandonar a mim mesmo.”

Ele repetiu a frase em voz baixa, quase pra si mesmo. Tati ficou em silêncio por alguns segundos. Depois começou a dizer que ia dificultar tudo, que ia contar pros pais dele, que ia pedir pensão maior. Sérgio ouviu tudo sem interromper. Quando ela parou, ele só disse: “Faça o que quiser. Eu vou pagar o que for justo, mas não vou ficar aqui.”

Ela não respondeu. Apenas pegou a aliança da mesa e guardou no bolso.

A manhã com Dona Helena

No dia seguinte, Sérgio acordou cedo. As meninas ainda dormiam. Ele pegou o telefone e ligou para Dona Helena, a vizinha que sempre ajudava com as meninas quando o serviço apertava. Ela atendeu no terceiro toque e ouviu tudo sem interromper. “Traga elas aqui hoje à tarde”, disse ela no final. “A gente organiza a rotina enquanto você procura um lugar.”

Sérgio desligou e ficou olhando pela janela. O ônibus já passava lotado na rua. Ele pensou no trabalho que tinha pela frente, nos boletos que ainda vinham e no quanto custaria começar de novo. Mas pela primeira vez em muito tempo, a ideia de sair de casa não parecia impossível.