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Mãe Emprestada — Capítulo 8: A heranca que ninguem quer dividir

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Na sala de jantar dos Vilar, o brinde para o aniversário parou no meio do caminho. O advogado explicou que a herança dependia de laço de sangue comprovado e um exame de DNA virou a única saída poss…

Celina ergueu a taça primeiro, como sempre. O lustre refletia nas bordas de cristal e a sala parecia um quadro pronto. Rafael notou o envelope marrom na mesa lateral antes de sentar. Ninguém ali sabia ainda que a herança Vilar ia virar o brinde de cabeça para baixo.

O jantar de aniversário

A mesa estava posta com precisão. Pratos brancos, talheres alinhados, guardanapos dobrados em formato de leque. Isadora mexia no colar sem parar. O advogado da família, doutor Mendes, chegou atrasado e pediu licença antes de abrir a pasta.

— Vamos brindar primeiro — disse Celina, voz controlada. — Depois conversamos.

Rafael olhou para a irmã. Os dois tinham combinado não falar nada antes da sobremesa. Antonia não estava ali, mas o peso da foto rasgada ainda estava na cabeça dele.

A herança Vilar em jogo

Doutor Mendes pigarreou. Explicou que o testamento antigo previa que só descendentes de sangue podiam manter a parte principal da clínica e os imóveis. Qualquer dúvida sobre parentesco precisava ser resolvida antes da partilha.

Isadora baixou o garfo.

— O que quer dizer com dúvida?

Celina apertou o guardanapo. O brinde tinha congelado no ar minutos antes, e agora ninguém conseguia levantar a taça de novo.

O sangue vai decidir quem senta nessa mesa e quem volta pro morro.

A frase saiu da boca de Celina baixa, quase um sussurro. Rafael sentiu o estômago apertar. Isadora empurrou a cadeira para trás.

O teste que não pode esperar

O advogado confirmou que o laboratório já estava avisado. Um simples exame de DNA resolveria tudo em poucos dias. Celina tentou mudar de assunto, falando do bolo que o cozinheiro tinha preparado, mas Isadora não deixou.

— Eu quero fazer o meu agora — disse ela. — E quero que Dudu faça também.

Rafael concordou em silêncio. A aliança que ele tinha fechado com Antonia no arquivo continuava firme, mesmo sem ela estar presente. Celina olhou para os filhos como se calculasse quanto ainda conseguia controlar.

A noite terminou cedo. Os carros saíram um a um da garagem. Antes de apagar a luz da sala, Celina guardou o envelope marrom na gaveta da escrivaninha. Dois dias depois o laboratório ligaria marcando a coleta. Rafael já imaginava o silêncio que viria quando o resultado chegasse.