Enzo parou na frente da vitrine e pediu para ver o relógio que custava quase o que um carro popular valia. Vinícius ficou ao lado, apontando para mais duas peças na prateleira. O que ele ainda não sabia era que, ao voltar para casa naquela noite, o montante que sobrava dos cinco milhões já teria encolhido de um jeito difícil de explicar.
A pilha de caixas na loja
As sacolas se acumulavam aos pés do banco onde Enzo sentou para experimentar os tênis. O vendedor trazia mais caixas sem perguntar preço. Vinícius filmava tudo no celular, rindo cada vez que o irmão de Lucas via o total na tela e fazia que não ligava.
Um amigo que passava pela rua entrou e ficou olhando a quantidade de pacotes. “Cara, você tá gastando tudo de uma vez?”, perguntou baixo. Enzo virou o rosto e respondeu rápido: “Se eu tenho dinheiro pra comprar, então eu tenho dinheiro pra gastar.”
O amigo que fez a pergunta
A frase ficou no ar por alguns segundos. Vinícius deu um tapa nas costas de Enzo e mudou de assunto, chamando atenção para um casaco que acabara de chegar. Enzo pagou sem olhar o troco. O amigo que havia questionado saiu sem comprar nada.
Lá fora, Lucas andava pelas ruas dos Jardins com uma lista no celular. Entrava em pequenas empresas, pedia para falar com o dono e anotava números de faturamento. Nenhuma loja de grife chamou atenção dele.
O que sobrou no final do dia
Quando o carro parou em frente à casa, Enzo contou as sacolas no banco de trás e sentiu o estômago apertar. Vinícius já tinha descido, mandando mensagem para alguém sobre o quanto eles tinham gastado. Enzo ficou mais um minuto olhando para o total que o cartão mostrava no app.
Lucas, do outro lado da cidade, parou em frente a um restaurante lotado. A fila dava na calçada. Ele anotou o endereço e pensou que talvez ali pudesse colocar parte do dinheiro para trabalhar de verdade. A porta de vidro da frente tinha uma rachadura fina que ninguém parecia notar.
