Capítulo 10: A Última Cartada
O Ricardo caminhou pela calçada arborizada da Zona Sul naquela manhã, sem o terno escuro de costume — apenas uma camisa amarrotada, a gravata afrouxada, o cabelo despenteado. Tinha passado a noite em claro.
Parou diante da câmera invisível do destino, e falou em voz baixa pra si mesmo:
— Eu errei demais, gente. Mas eu vou tentar consertar. Eu vou conversar com a Helena.
Mas a Helena não atendia. Não respondia mais. Era como se ele tivesse virado fantasma na vida dela.
A mulher que veio na porta
Do outro lado da cidade, numa cafeteria movimentada de bairro, a Dona Marlene tomava café sozinha. Ela tinha um porta-retratos antigo na mesa, ao lado da xícara — uma foto que recebeu na véspera, de uma mulher que ela nunca tinha visto antes.
A mulher tinha batido na porta da Marlene de manhã cedo. Tinha contado uma história de vinte anos atrás. Tinha pedido pra Marlene avisar a filha.
— Eu descobri uma coisa sobre o Ricardo, gente — falou a Marlene baixinho. — Uma mulher veio me procurar. Disse que conhece o Ricardo de outra vida.
Apertou a foto contra o peito. Esperou o momento certo de contar pra Helena.
As três se preparam
Na sacada do apartamento, a Helena e a Bruna brindavam com duas xícaras de chá enquanto o sol da tarde dourava a cidade lá embaixo.
— A Vanessa já chega — disse a Helena, com firmeza calma. — Acabou pra ele.
— Ele achou que ia dividir a gente — completou a Bruna, com a mão na barriga grande. — Hoje a gente termina ele.
O brinde das xícaras foi sutil. Pra um observador de fora, era apenas um chá entre amigas. Mas pra elas, era a vitória de meses de planejamento silencioso.
A chegada da Vanessa
Numa mesa externa do café elegante do Leblon, a Vanessa esperava com a pasta de couro fechada sobre a mesa. Blazer claro, óculos escuros sobre a cabeça, sorriso lento.
Quando o garçom se afastou, ela olhou pra ninguém em particular e disse pra si mesma:
— Eu mudei de lado, gente. Fui amante dele cinco anos. Hoje eu vou estar do lado das mulheres.
Abriu a pasta de leve. Sorriu firme. Em poucos minutos, ela ia se juntar à Helena e à Bruna pra a reunião final.
“Ele já tinha uma família”
Mais tarde, na sala simples da casa de bairro, a Dona Marlene chegou com o porta-retratos. Sentou ao lado da Helena no sofá com colcha florida. Entregou a foto.
— Filha — disse, com voz emocionada e firme. — O Ricardo já tinha sido casado antes. E ele deixou uma mulher e um filho pra trás. Tem uma família inteira procurando ele.
A Helena olhou pra foto. Era uma mulher jovem dos anos noventa, segurando um bebê de poucos meses. Atrás dela, uma cidade do interior. Um homem de costas — mas o anel no dedo era inconfundível. Era o Ricardo de vinte anos atrás.
O rosto da Helena endureceu.
— Então o que ele fez comigo, ele já tinha feito antes.
O vilão acuado
Encostado num poste de uma calçada movimentada, o Ricardo olhava pra tela do celular. Nenhuma resposta da Helena. Nenhum retorno da Vanessa. A Bruna tinha bloqueado o número dele.
Respirou fundo. Apertou o botão de gravar mensagem de voz.
— Helena, me liga. Eu tenho como explicar. Eu tava tentando proteger uma coisa do meu passado. Me dá uma chance.
Mas a chance tinha acabado faz tempo.
“Cinco anos pra ser honesto”
Na sacada do apartamento, ao fim da tarde dourada, a Helena olhou pra tela do celular. Viu o áudio dele chegando. Não escutou.
Abriu a configuração do contato. Apertou o botão de bloquear.
Olhou pra cidade lá embaixo, e disse pra si mesma com firmeza:
— Você teve cinco anos pra ser honesto. Hoje é a vez da sua família verdadeira saber quem você é.
Colocou o celular no parapeito. Não tinha mais nada pra dizer pra ele. A próxima conversa seria entre o Ricardo, a esposa abandonada, e o filho que ele nunca quis conhecer.
👉 A esposa abandonada e o filho do Ricardo vão entrar em cena. A vergonha pública vai ser total. Mas será que o vilão ainda guarda alguma cartada? O Capítulo 11 já está nos nossos Stories no Instagram — corre lá pra ver o final dessa história.
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