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O Segredo do Mestre — Capítulo 4: O beijo atrás dos lampiões

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Sob a chuva vermelha do mercado, Sakura descobre o sobrenome de Lucas e o beijo que deveria ser segredo chega ao celular de Ricardo.

O Segredo do Mestre — Capítulo 4: O beijo atrás dos lampiões — cena da novela

A chuva fina caía sobre o Mercado Sol Nascente, transformando as poças em espelhos vermelhos sob os lampiões. Um guarda-chuva abandonado permanecia aberto entre duas barracas fechadas, sua haste enroscada em uma corda solta. O mercado já dormia, mas o silêncio carregava o peso de palavras não ditas.

Lucas caminhava devagar entre as sombras, o paletó molhado colado aos ombros. Sakura fechava a última caixa de isopor no quiosque quando o viu parar. O olhar dele demorou na aliança de noivado que ele nunca usava no dedo.

O nome que escorregou na chuva

Ela secou as mãos no avental e se aproximou sem guarda-chuva. A água escorria pelo cabelo de Lucas até o colarinho. Ele estendeu a mão para afastar um fio molhado do rosto dela, mas parou no meio do gesto.

— Por que você continua aqui depois de tudo que sua família fez? — perguntou Sakura, a voz baixa, cortante.

Ele engoliu em seco. O sobrenome escapou antes que pudesse segurar: Valença. O mesmo que financiava o festival. Sakura recuou um passo, os olhos estreitos sob a luz vermelha.

— Você entrou na minha vida como aliado, mas carrega no bolso a chave da porta que fecharam pra mim.

Você entrou na minha vida como aliado, mas carrega no bolso a chave da porta que fecharam pra mim.

O beijo que ninguém devia ver

Lucas negou com a cabeça, mas o corpo traiu. Avançou. Sakura não recuou. Os lábios se encontraram atrás da barraca de peixes, o gosto de chuva misturado ao sal do mar que ainda grudava nas mãos dela. O guarda-chuva abandonado balançou com o vento.

Ela afastou o rosto primeiro, respiração curta. — Isso não muda o que seu nome representa.

— Eu não escolhi nascer Valença — murmurou ele, a testa encostada na dela.

A foto que viajou pelo fio

Do outro lado do mercado, Ricardo Sakamoto observava o celular na bancada do seu restaurante vazio. A mensagem anônima chegou sem texto, apenas a imagem: os dois se beijando, os lampiões vermelhos embaçados ao fundo. Ele sorriu devagar, cruel, e guardou o aparelho no bolso.

Do lado de fora, a chuva parou. O guarda-chuva continuava ali, aberto, como se esperasse alguém voltar para pegá-lo.