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Segredo Entre Esmaltes — Capítulo 7: O beijo que não podia acontecer

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Na cafeteria depois da chuva, Cléo e Rafael deixam o café esfriar. Um beijo impulsivo surge, mas o sobrenome Castelo pesa mais que qualquer explicação.

Cléo mexia no guardanapo sem vontade. A chuva tinha parado havia pouco e a cafeteria estava quase vazia. Rafael chegou atrasado, tirou o paletó molhado e sentou na mesa do canto. As duas xícaras de café ficaram intocadas por quase uma hora.

A conversa que começou tímida

Ela contou que Vivian a havia segurado com força na varanda. Rafael ficou quieto, olhando as gotas escorrerem pelo vidro. Depois perguntou por que Cléo parecia ter tanto medo da mãe dele. A pergunta ficou no ar, como se ninguém quisesse responder primeiro.

Cléo pensou em contar tudo sobre Iraci e o roubo antigo. Mas sabia que qualquer palavra podia fazer Rafael correr para defender a própria família. Ela já tinha visto isso acontecer antes com outras pessoas.

O beijo que não devia ter acontecido

A mão dele encostou na dela por cima da mesa. Foi um gesto pequeno, quase sem querer. Cléo não afastou. Quando os dois se inclinaram, o beijo veio rápido e atrapalhado. Durou poucos segundos.

Eu posso gostar de você e ainda precisar provar que sua mãe acabou com a minha.

Rafael recuou primeiro. O sobrenome Castelo pareceu pesar entre eles como uma porta que se fecha. Cléo sentiu o gosto amargo do café que nem tinha provado.

O que ele prometeu antes de sair

Ele disse que ia procurar documentos antigos no escritório do condomínio. Sem contar para Vivian. Disse que queria entender o que realmente tinha acontecido com a mãe de Cléo. Cléo não sabia se acreditava. Ainda assim, sentiu um alívio pequeno e perigoso.

Quando saíram, a chuva fina voltava. Na calçada, uma cliente que Cléo atendia toda semana passou de carro e os viu juntos. Ela diminuiu a velocidade, olhou mais uma vez e seguiu em frente. Ninguém disse nada na hora.

Cléo voltou para o salão pensando que talvez tivesse dado um passo que não conseguiria voltar atrás. Téo mandou uma mensagem perguntando se ela estava bem. Ela não respondeu de imediato. No bolso, o celular vibrou de novo com o nome de outra cliente: Pricila.