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A Caixa do Mercado — Capítulo 4: O caderno vira prova

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Kelly abriu o caderno gasto na sala quase vazia. Henrique viu o padrão nas datas e turnos. Aquelas anotações podiam ser mais do que mania de controle.

Kelly chegou à sala de aula quase vazia depois de mais um dia batendo cabeça em busca de emprego. O caderno de Kelly estava aberto sobre a carteira, as páginas gastas marcadas por números miúdos. Ela pensou em abandonar o curso de vez para ajudar a mãe, mas o professor Henrique pediu para ver as anotações de novo. O que ela ainda não sabia era que aquelas linhas simples iam mudar tudo nas próximas horas.

A noite na sala de aula

Henrique sentou ao lado dela e folheou as páginas devagar. As datas coincidiam com os dias em que Kelly trabalhava no turno da tarde. Ela explicou que anotava tudo porque as diferenças de caixa sempre apareciam no fechamento. Ela já desconfiava que alguém mexia nos valores, mas nunca tinha mostrado para ninguém além de Matheus.

— Isso não é só mania sua, Kelly — disse Henrique. — Olha aqui. Quase todas as diferenças aconteceram nos dias em que o Valdir fechou o caixa pessoalmente.

O padrão que o professor encontrou

Ela olhou os números de novo. Os valores batiam com as planilhas que o gerente mandava para a matriz. Henrique pegou uma caneta e marcou os turnos. Kelly sentiu o coração apertar. Se aquilo era prova, talvez ela conseguisse ao menos limpar o nome. Mas a mãe precisava de remédio e a conta do aluguel estava atrasada de novo.

— Eu não posso continuar o curso agora — murmurou ela. — Preciso arrumar qualquer coisa.

Isso aqui é prova

Henrique fechou o caderno e olhou para ela.

Isso aqui não é mania de anotar, Kelly. Isso aqui é prova.

Kelly ficou em silêncio. Pela primeira vez desde a demissão, algo dentro dela se mexeu. Não era só raiva. Era a chance de mostrar que não tinha sido ela. Henrique prometeu ajudar a organizar as páginas por data e turno. Ela guardou o caderno no bolso antes de sair.

No caminho para casa, o celular vibrou. Era Matheus. Ele pediu para ela passar no estacionamento do mercado ao anoitecer, que precisava mostrar uma coisa. Kelly hesitou, mas respondeu que iria. O caderno já estava nas mãos certas. Agora faltava ver o que mais podia aparecer.