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A Última Costura — Capítulo 1: O vestido rasgado

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Marta entregou o vestido vermelho na prova da Maison Bianca, mas Bianca rasgou tudo na frente das clientes. Ao chegar em casa, a gaveta do caderno estava aberta e o que ela mais temia começava ali.

Marta ajustou a barra do vestido vermelho pela terceira vez antes de entrar no salão de mármore. As clientes já estavam sentadas, olhando o tecido que balançava sob o lustre. Ela queria só que a peça ficasse perfeita, mas Bianca caminhava em círculos com o olhar duro.

A prova que virou cena

As clientes murmuravam entre si quando a costureira subiu no pequeno degrau para mostrar o caimento. O tecido caía bem nos ombros, marcava a cintura sem apertar. Marta respirou aliviada por um segundo. Bianca parou na frente dela e puxou a barra com força.

O rasgo foi seco. Um som que ecoou no salão inteiro. As mulheres pararam de falar. O tecido vermelho se abriu até o joelho, as costuras se soltando uma a uma.

O que Bianca falou na frente de todo mundo

— Isso aqui não serve pra nada — disse Bianca, jogando o pedaço rasgado no chão. — Você não sabe mais o que está fazendo.

Marta ficou parada, as mãos ainda segurando o resto do vestido. As clientes olharam para o lado, algumas rindo baixo. Leonor, que costurava no canto, baixou a cabeça. Bianca apontou para a porta.

— Pega suas coisas. Não quero mais você aqui.

Você pode rasgar o tecido, mas não apaga a mão que criou cada ponto.

Marta repetiu isso baixo enquanto juntava a bolsa. Ninguém respondeu. Ela saiu pelo corredor dos fundos, o ar condicionado gelado batendo no rosto.

De volta para o Bixiga

O ônibus demorou. Quando chegou na casa-ateliê, o cheiro de comida pronta já tinha passado. Clara estava no quarto fazendo lição. Marta foi direto para o armário onde guardava o caderno de croquis. A gaveta estava entreaberta. Uma linha dourada estava caída no chão, como se alguém tivesse puxado rápido demais.

Ela olhou a gaveta vazia. O caderno não estava lá. Quem mexeu nisso? pensou, sentando no chão. O dia ainda não tinha acabado de verdade.