Marta parou na porta do quarto e viu a gaveta do móvel antigo escancarada. A luz amarela da máquina de costura ainda acesa iluminava o chão. Uma linha dourada fina brilhava perto do pé da cama. Ela já sabia que o caderno não estava mais ali.
A gaveta vazia
Ela se aproximou devagar, como se o ar pudesse sumir. Os dedos tocaram a madeira fria. Dentro só restavam alguns papéis soltos e um elástico rasgado. Quem entrou aqui não queria dinheiro; queria roubar a minha história.
Clara apareceu no corredor, descalça, o celular na mão. “Mãe, o que aconteceu?” Marta não respondeu de imediato. Olhou para a filha e depois de novo para a gaveta.
A linha no chão
Dona Neide chegou pouco depois, trazendo um pano na mão. “Chama a polícia, Marta. Isso não é coisa de moleque.” Marta pegou a linha dourada entre os dedos. Era do tipo que usava na maison. Ela já desconfiava, mas agora tinha certeza.
Clara ligou o notebook no canto da sala. As imagens da câmera de comércio da rua apareciam em preto e branco. Leonor caminhava devagar em frente à casa naquela manhã, olhando para os lados antes de seguir em frente. Marta ficou quieta por um minuto inteiro.
As imagens da rua
“Ela sabe onde eu moro”, disse Marta por fim. Dona Neide suspirou fundo. Clara apertou o braço da mãe. “A gente vai lá agora?” Marta guardou a linha no bolso da calça. O ateliê da Maison Bianca ainda estava aberto. Ela precisava saber o que mais Leonor tinha visto.
