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A Zeladora — Capítulo 2: O prédio inteiro condena

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Mensagens se acumulavam no celular de Ademar enquanto Dolores tentava atravessar o hall sem ser olhada. A folha que Regina entregou mudou tudo antes do meio-dia.

Ademar viu a tela do celular piscar sem parar enquanto o café esfriava na portaria. Mensagens de Gilberto chegavam uma atrás da outra. Dolores ainda não sabia que aquelas palavras iam se espalhar pelos doze andares antes mesmo do sol nascer.

A tela cheia de mensagens

O porteiro rolou o grupo do condomínio. A foto que Gilberto tirou na assembleia já tinha mais de quarenta visualizações. Ao lado dela, um áudio curto repetia que a zeladora tinha sido pega com a joia. Ademar desligou o som e guardou o aparelho no bolso.

Dolores apareceu no hall carregando o balde de limpeza. Dois moradores que desciam do elevador desviaram o olhar. Ela apertou o cabo do balde com mais força e seguiu em frente.

Boatos no condomínio

Regina mandou um recado no grupo oficial: “A administração já está tomando providências”. Ninguém perguntou qual providência. Um entregador que costumava cumprimentar Dolores deixou o pacote na recepção sem esperar o recibo. O silêncio no elevador social ficou mais pesado que o costume.

Às dez da manhã, três empregadas que trabalhavam em apartamentos diferentes pararam de conversar quando ela entrou na área de serviço. Uma delas murmurou algo baixo demais para entender. Dolores fingiu não ouvir e continuou limpando o corrimão.

A comunicação por escrito

Regina apareceu na portaria com uma folha impressa. Entregou o papel para Ademar sem olhar para Dolores. “É oficial”, disse apenas. O documento tinha o timbre do condomínio e informava o fim do vínculo a partir daquela tarde. Dolores leu as linhas duas vezes antes de devolver o papel.

Ademar guardou o documento na gaveta sem dizer nada. O café continuava ali, agora frio. Dolores subiu para o quarto de serviço e fechou a porta devagar. No fundo da gaveta de baixo, algo encostou em sua mão.