Dolores parou na porta da portaria escura e sentiu o ar parado do lugar. As telas mostravam uma silhueta parada, com algo brilhante junto ao corpo. Rafael e Ademar já estavam ali, olhando fixos. Ela já desconfiava que aquela imagem ia mudar o rumo de tudo.
A silhueta nas câmeras do condomínio
Ademar apertou teclas e a imagem congelou melhor. A pessoa segurava o objeto contra o peito, como quem não quer ser vista. Rafael apontou para o horário no canto da tela. “É exatamente a noite do sumiço”, disse ele baixo. Dolores ficou em silêncio, o livro de ocorrências apertado nas mãos. O que ela ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.
Ademar falou rápido. “Se eu não copiar agora, os arquivos somem em duas horas.” Rafael concordou e pediu para pausar em cada segundo. Dolores observou a silhueta de novo. O formato do corpo parecia familiar, mas ela torcia para estar errada.
Regina aparece sem aviso
A porta se abriu de repente. Regina entrou com o celular na mão e o olhar duro. “O que vocês estão fazendo com as gravações antigas?”, perguntou direto. Ademar congelou no teclado. Rafael virou devagar. Dolores sentiu o peito apertar. Regina já sabia do que se tratava, isso estava claro no jeito dela falar.
“Apaga tudo isso agora”, ordenou ela. “As câmeras podem falhar, mas o medo de quem mente nunca falha.” A frase saiu seca, como quem já tinha ensaiado. Ninguém respondeu. Regina esperou dois segundos e saiu batendo a porta.
A cópia que ninguém viu
Ademar esperou o elevador subir e voltou ao computador. “Vou salvar o que der”, murmurou. Ele copiou só uma parte, sem som, e colocou num pen drive velho. Dolores ficou olhando para o chão. Ela não queria que a verdade machucasse mais alguém. Rafael pegou o livro dela e marcou o horário da imagem. “Isso combina com o que está escrito aqui”, disse ele.
Ademar estendeu o pen drive para Dolores sem fazer barulho. “Guarda isso. Não mostra pra ninguém ainda.” Ela pegou o objeto e guardou no bolso do casaco. Rafael olhou para a porta de saída. Do lado de fora, o corredor estava vazio. Algo na forma como a silhueta se movia ainda não batia com o que eles esperavam. Dolores pensou na filha da síndica e sentiu um peso novo no estômago. O elevador fez barulho lá em cima, como se alguém estivesse descendo devagar.
