Tati entrou na recepção do novo escritório com passo firme, o vestido novo marcando a cintura. Sérgio olhou de cima do balcão e sentiu o ar pesar. O que ele ainda não sabia era que a conversa daquela tarde ia mostrar que as filhas já tinham deixado o passado para trás.
A chegada de Tati
Ela parou na frente dele e sorriu como quem já sabe o que vai pedir. O cabelo estava preso de um jeito que Sérgio nunca tinha visto em casa. Na bolsa aberta, uma foto antiga das meninas apareceu por acaso quando ela tirou o celular.
— Preciso falar com você — disse Tati, a voz baixa. — Sozinho.
Sérgio indicou a sala pequena ao lado. Dirceu estava no canteiro e Roberta tinha saído para medir uma obra. Os dois ficaram cara a cara pela primeira vez desde a mudança.
O pedido que Tati fez
Tati falou direto. Disse que tinha visto a construtora no jornal do bairro e resolveu aparecer. Admitiu que já sabia do sucesso antes de procurar ele. Depois puxou as meninas para o meio da conversa, como se fossem a única ponte que restava.
Sérgio ouviu tudo em silêncio. Quando ela parou, ele perguntou baixo:
Você sentiu minha falta quando eu fiquei rico ou quando percebeu que eu aprendi a viver sem você?
Tati piscou, surpresa. Não respondeu. Sérgio pediu um dia para pensar e saiu da sala antes que ela insistisse.
A noite com Lara
Em casa, as meninas já estavam de pijama quando ele chegou. Lara ajudava Bia a guardar os livros na prateleira nova. Sérgio sentou na cozinha e perguntou como tinha sido o dia.
Lara contou que tinha chamado a casa de lar na escola, sem pensar. Disse que o quarto delas era maior e que não queria voltar para o antigo. Bia concordou, balançando a cabeça enquanto comia maçã.
Sérgio ficou olhando para o prato de comida que esfriava na mesa. Pela primeira vez sentiu que a resposta que daria a Tati no dia seguinte já estava clara dentro dele, mesmo que ainda doesse falar em voz alta.
