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Podre Por Dentro — Capítulo 9: A praça troca de dona

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Amora chegou à praça com o documento da mãe. Uvaldo ofereceu dinheiro para que ela desistisse, mas a assembleia decidiu suspender os direitos dele antes do fim da tarde.

Amora parou no meio da praça lotada, o documento dobrado na mão. O sol batia forte nas calçadas e ninguém parecia disposto a ceder o lugar. Ela veio para recuperar o nome da mãe, mas ainda não sabia que a resposta que buscava ia mudar tudo antes do fim da tarde.

A reunião convocada por Uvaldo

A praça estava cheia de gente do Bairro Nobre e da Feira Velha misturada. Uvaldo bateu a bengala dourada no chão para pedir silêncio. Ele falou primeiro, como sempre, dizendo que tudo não passava de mal-entendido antigo. Amora esperou ele terminar. Quando chegou sua vez, ela subiu no degrau de pedra e abriu o papel.

— Este registro mostra que minha mãe tinha direito sobre a gleba. A segunda via estava no cofre da associação antiga. Ninguém conseguiu sumir com ela.

Cerejane tenta desacreditar

Cerejane riu alto, tentando chamar atenção para o outro lado. Disse que Amora estava confundindo papéis velhos com prova de verdade. Uvaldo concordou, repetindo que a família dele comprou tudo legalmente. Alguns vizinhos do bairro nobre murmuraram de apoio. Amora ficou quieta, deixando o papel circular entre as mãos que se estendiam.

Ela já tinha ouvido mentiras parecidas antes. O que doía era ver que ainda esperavam que ela aceitasse calada.

A oferta e a queda

Uvaldo chamou Amora de lado, voz baixa. Ofereceu dinheiro vivo, bastante para ela e Dona Melancia viverem sem trabalhar nunca mais. Disse que bastava ela rasgar o documento ali mesmo. Amora negou com a cabeça. Quando ele se virou para voltar ao centro da praça, a bengala escorregou dos dedos e caiu com estrondo no piso de pedra.

A fruta que vocês chamaram de pobre era dona do chão onde vocês construíram suas mansões.

A assembleia parou. O tabelião que estava presente confirmou a validade da segunda via. Votaram em voz alta. Os direitos de Uvaldo sobre parte das terras foram suspensos ali mesmo. Cerejane olhou para as casas ao redor e sentiu o chão faltar.

Amora guardou o papel de volta na bolsa. O dia ainda estava quente, mas ela pensava no que faria com aquelas terras agora. Não queria repetir o mesmo erro de separar as pessoas de novo. Abacatão estava na multidão, quieto, esperando. Ela sabia que a Feira Velha ia ficar diferente depois disso, e que talvez fosse hora de pensar em reconstruir sem expulsar ninguém.