Clara correu atrás de Melâncio logo depois da discussão na sala. Ele parou do lado de fora, encostado no muro rachado, olhando o chão. O que ela ainda não sabia era que aquela noite acabaria em algo que nenhum dos dois esperava.
A conversa que começou do lado de fora
Melâncio apertava as mãos. Eu não sou filho dela, repetiu baixinho. Clara parou a dois passos dele, tentando lembrar que estava ali como assistente social. Você precisa respirar, disse ela. A voz saiu mais baixa do que pretendia.
Ele ergueu o olhar. Me conta o que você viu naquela foto. Clara hesitou. Sabia que não devia misturar as coisas, mas a cara dele parecia de alguém que ia desabar ali mesmo.
O beijo impulsivo atrás do portão
O portão enferrujado rangeu quando ele deu um passo para trás. Clara avançou sem pensar. Os dois se beijaram rápido, como se precisassem confirmar que aquilo era real. Quando se afastaram, o portão continuou fechando devagar, fazendo barulho no silêncio da rua.
Eu vim aqui pra ajudar você a mudar, não pra me perder junto.
Clara recuou primeiro. O coração batia forte. Melâncio ficou quieto, encostado no portão.
Abacácio chega e vê tudo
Os faróis do carro de Abacácio apareceram na esquina. Ele parou do outro lado da rua e viu os dois. Clara ainda limpava o canto da boca. Abacácio ficou olhando por alguns segundos, depois virou o carro e foi embora sem descer.
Do banco do carro, ele apertou o volante. Pensou na promessa que fez pra Dona Maçã anos atrás. Mas naquele momento decidiu que Melâncio precisava saber de pelo menos uma parte da verdade sobre a certidão. O segredo que ele guardava há tanto tempo já não parecia mais tão protegido.
