6 min de leitura

Veneno de Amor — Capítulo 2: O segredo que ela carrega

Novelas grátis pra assistir

Escolha uma novela e assista todos os episódios liberados.

Nos fundos da boate, Isabela revela a Bruno seu plano de vingança contra Rafael Montenegro. Mas quando Rafael a procura e a convida para uma conversa privada, ela descobre que ele a está investigan…

Veneno de Amor — Capítulo 2: O segredo que ela carrega — cena da novela


A luz vermelha neon da boate pulsava como um coração ferido. Nos fundos, onde os clientes nunca chegavam, Isabela secava copos com movimentos mecânicos, cada gesto uma batida de raiva contida. Bruno apareceu entre as caixas de bebida, o rosto preocupado.

Publicidade

Ele conhecia aquele brilho nos olhos dela. Conhecia há anos.

O que ele não devia saber

Bruno encostou na parede úmida, perto da porta que levava aos bastidores. Isabela não olhou para ele, mas sentiu sua presença como um peso.

— Você falou com ele? — perguntou Bruno, baixo.

— Ele pediu um drink. Eu fiz. — Isabela virou um copo de cabeça para baixo sobre o pano. — Nada de especial.

— Mentira. — Bruno deu um passo à frente. — Você tem aquele jeito. Aquele jeito quando quer algo. Quando quer destruir algo.

Isabela finalmente o encarou. Os olhos dela eram dois vidros escuros, refletindo apenas a luz vermelha.

— Ele destruiu minha mãe, Bruno. Meu pai. Minha vida inteira. — A voz saiu rouca, como se tivesse passado por vidro. — Você acha que vou deixar isso passar?

Bruno respirou fundo. Ele sabia a história. Sabia que o pai de Isabela havia perdido tudo em uma transação que Rafael Montenegro havia orquestrado dez anos atrás — não por acaso, mas por cálculo puro. O suicídio do pai de Isabela foi silencioso, discreto, enterrado em uma colina de Perus. Sua mãe envelheceu vinte anos em dois.

— Iza, esse homem não é ninguém. Ele é um predador. Se você se aproximar, ele vai perceber. Ele é esperto demais.

— Eu sei. — Isabela retomou os copos, movimentos mais violentos agora. — Por isso vou ser devagar. Vou ser inteligente. Vou ser… — ela pausou, procurando a palavra certa — irresistível.

Ele vai pagar pelo que fez.

Bruno fechou os olhos. Naquele momento, ele viu a garota que conhecia desaparecer. No lugar dela, uma mulher que ele não reconhecia. Uma mulher capaz de coisas que o assustavam.

— E se você se apaixonar de verdade? — perguntou ele, sussurrando.

Isabela riu. O som era duro, sem calor.

— Não vou. Isso não vai acontecer.

Mas enquanto ela falava, uma imagem invadiu sua mente: os olhos de Rafael quando ela havia entregado o drink, aquele segundo em que ele olhou para ela como se procurasse algo que havia perdido. Como se ela fosse aquilo que faltava.

Ela afastou o pensamento com violência.

O retorno

O som da música atravessou a porta dos fundos como uma onda. Isabela secou as mãos no avental e Bruno saiu primeiro, deixando-a sozinha por um momento. Ela olhou para o espelho rachado pendurado na parede — seu reflexo dividido em três partes, nenhuma delas inteira.

Quando voltou ao balcão, Rafael estava lá.

Ele não estava bebendo. Estava observando. Os dedos batiam na madeira do balcão, ritmados, como se contasse algo. Lara não estava com ele — tinha desaparecido na multidão de corpos suados e perfumes caros.

— Isabela, não é? — Rafael sorriu. Não era um sorriso amigável. Era um sorriso que sabia coisas.

— É o que está na minha identidade. — Ela aproximou-se, o corpo pronto, cada músculo controlado.

— Gostaria de conversar comigo? Em particular? — Ele apontou para um canto escuro da boate, longe das luzes pulsantes, onde dois sofás enfrentavam-se como predadores em trégua. — Tenho uma proposta para você.

Isabela sentiu o chão desaparecer sob seus pés. Aquilo era mais rápido do que havia planejado. Muito mais rápido.

— Claro. — Ela passou pelo balcão, sentindo os olhos de Bruno queimarem em seu pescoço. Quando ela passou por ele, Bruno sussurrou:

— Cuidado.

Mas era tarde. Rafael já a esperava na sombra, e havia algo no jeito como ele olhava para ela — como se visse através da pele, como se conhecesse cada segredo que ela carregava.

Isabela sentou-se no sofá, as costas retas, as mãos no colo. Rafael ocupou o lugar à sua frente, tão próximo que ela podia sentir o cheiro dele — colônia cara, pele aquecida, algo que cheirava a dinheiro.

— Você me parece familiar. — Ele inclinou a cabeça. — Já nos conhecemos antes?

O coração de Isabela acelerou, mas seu rosto permaneceu uma máscara.

— Não acho. Tenho certeza de que lembraria.

— Eu também. — Rafael sorriu, e havia algo perigoso naquele sorriso. — Então por que sinto que você já me conhece há muito tempo?

Isabela respirou. A boate pulsava ao seu redor, a música batendo como um segundo coração. Ela tinha treinado para este momento. Tinha ensaiado as palavras, os gestos, a sedução.

Mas nada a havia preparado para a forma como ele a olhava. Como se ela fosse um quebra-cabeça que ele quisesse montar com as mãos.

— Talvez você apenas queira que eu o conheça. — Ela inclinou-se levemente para frente. — Talvez seja você quem me procura.

Rafael riu. Era um riso genuíno, e isso a assustou mais do que qualquer agressão.

— Astuta. — Ele estudou o rosto dela por um longo momento. — Você esconde algo. Eu sinto.

Isabela prendeu a respiração. A sala girou.

— Todos escondem algo. — ela respondeu, e a voz saiu firme.

— Verdade. Mas nem todos escondem tão bem quanto você.

Ele se inclinou para trás, e Isabela viu quando a decisão atravessou seus olhos — uma decisão que a assustava porque ela não sabia o que significava.

— Qual é seu número? — perguntou Rafael.

— Meu número? — Isabela piscou.

— Telefone. Preciso de seu telefone.

Bruno observava de longe, as mãos fechadas em punhos. Lara havia reaparecido na multidão, e seus olhos perseguiam Isabela como um predador que finalmente identificou a presa.

Isabela disse o número. Rafael digitou com uma mão, enquanto a outra permanecia apoiada no sofá, tão próxima da coxa dela que quase se tocavam.

Quando ele terminou, Rafael se levantou.

— Vamos nos ver em breve, Isabela. — Ele estendeu a mão para ajudá-la a se levantar. Ela a tomou, e por um segundo, seus dedos se tocaram. — Tenho certeza disso.

Ele desapareceu na multidão, deixando-a de pé, tremendo, seu celular vibrantemente vivo na mão.